Big Brother Brasil: um programa que agoniza em TV aberta

Estadão

14 de março de 2012 | 14h19

“A votação já ultrapassa os 23 milhões de votos”. “Passamos dos 31 milhões!” A empolgação de Pedro Bial ao apresentar números do BBB 12 na terça feira, noite de paredão, parecia exageradamente forçada. Assim como os gritos dos “emparedados” quando viam suas famílias. Os “uhuu, cara, olha a minha mãe” pareciam texto decorado. Esse é o clima da atual edição do programa. Pouca emoção, muita melancolia.
A sensação: o apresentador sabe que tem que revelar os números com animação. Os participantes sabem que têm que gritar e pular quando avistam seus parentes. Todos conhecem seus papéis. E como em uma peça que não sai de cartaz faz muitos anos, os representam burocraticamente.
Basta assistir alguns episódios da edição do programa para perceber que os personagens do reality já sabem exatamente o que estão fazendo ali. Muito choro. Algumas brigas. Sexo. Não era esse o script? Não é assim que se brinca de BBB? Não foi isso que me mandaram fazer? Não foi assim que me ensinaram? E o que tem de real em agir como “um participante de reality show”? Muito pouco.
Depois de 11 edições, os que topam o jogo parecem já ter aprendido direitinho como “ser um BBB”. E sabem exatamente para que estão ali. Quando saem da casa, sequer dizem que estão confusos. Vão direto ao ponto. “Quero ser apresentadora de TV. Aproveitar essa fase. Posar para uma revista.”
Sim, o BBB é um programa ruim, sempre foi. Mas vamos lembrar que alguns personagens muito interessantes já passaram por lá, como o deputado Jean Wyllys, a atriz Grazi Massafera e a apresentadora-humorista Sabrina Sato. Grazi disse em uma entrevista que entrou “para ficar uns dias tomando banho de piscina, sem ter que trabalhar”. Para a então balconista humilde de loja do interior, aquilo já era um sonho e tanto.
Sete anos depois, o BBB12 agoniza em TV aberta com personagens que já sabem direitinho o que vai acontecer com eles quando saírem da casa: vão virar ex BBBs, uma espécie de “profissão” melancólica da qual poucos dos participantes se livram. Para isso, as meninas mostram a bunda. Os caras, os músculos. E choram. Choram muito.
Deve ser triste saber que o seu destino é melancólico como o de uma subcelebridade. E deve ser difícil para o apresentador fingir empolgação com um programa que agoniza na UTI.
BBB sempre foi assunto, mesmo que fosse para falar mal, brigar e xingar muito no twitter. Agora não. O programa está desenganado há tanto tempo que ninguém quer nem mais saber quando ele morre. Na verdade, o BBB é um morto vivo. E a poderosa TV Globo vai ter que se virar se quiser que ele tenha sobrevida. Haja aparelhos!

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