Augusta vira programa de TV (e na vida real sofre com especulação)

Estadão

26 de setembro de 2012 | 13h08

Estreou ontem, no “History Chanel”, um documentário-reality que mostra a vida de alguns dos personagens da cena cultural da Rua Augusta, reduto de efervecência da noite alternativa de São Paulo. “Caos” exibe de maneira simpática o cotidiano de pessoas que trabalham no clube-loja homônimo. Tibira, um dos criadores da nova cena da Augusta, é fanático por objetos antigos e vive caçando peças, organizando bazares etc.

Engraçado (e triste) o programa estrear em um canal chamado “history” logo agora em que muitos temem que a Augusta, com seus clubes e seus personagens ,”vire história”. O temor: que a cena, criada há cerca de sete anos, e que reúne artistas de vanguarda da nova música paulistana, roqueiros novinhos, prostitutas, rapazes que andam de mão dada etc acabe por causa da especulação imobiliária.

Clubes emblemáticos da cena do “Baixo Augusta” fecharam as portas esse ano, como o Vegas, o primeiro a ocupar a “nova rua” e o Ecletico´s, boteco que virou cult. Quem freqüenta a noite de SP tem alguma coisa para contar sobre o bar, imortalizado na música “Par de tapas que doeu em mim”, de Tatá Aeroplano, um dos frequentadores tradicionais da rua.  “Naquela quinta feira de agosto a gente se pegou na porrada, bem no meio da Augusta, em frente ao eceticos club, em meio aos freaks da Night”. Muitos dos moradores de São Paulo não saíram na porrada, ainda bem. Mas alguma coisa viveram  ali. Um amor que começou no subterrâneo do bar do Neetão, uma noite incrível no Vegas, um show da vida no Studio SP.

O Studio, principal reduto da nova cena de música de São Paulo, resiste. “Fechamos um contrato de três anos e meio depois de muita dificuldade”, comemora um dos donos do clube e agitador da rua, Alexandre Youssef. Outros, fecharam suas portas para dar lugar a prédios. Ecletico´s e Vegas são apenas os mais emblemáticos.

Os frequentadores da cena da noite paulista alternativa esperam que a Augusta resista. E que tudo não vire lembrança que a gente assista em programas de TV com os olhos cheios de saudosismo. Ver TV é bom. Mas viver é muito melhor.

 

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