As olimpíadas e o sonho de ser ginasta e dar um duplo carpado

Estadão

09 de agosto de 2012 | 13h42

 

 

As boleiras que me desculpem e as radicais que não me matem. Mas a maioria das mulheres em tempos de olimpíada (eu incluída) gosta mesmo é de ginástica olímpica, ginástica artística e nado sincronizado. E cerimônia de abertura e de encerramento.  Nessas horas, nossa menina interior brota com tudo e voltamos a ter oito anos. Postadas em frente à TV (a grande culpada por essa obsessão eterna), olhamos para as meninas e queremos ser como elas.

Fomos pegas pelo vírus ainda pequenas. As de 40 (ou um pouco menos, ou um pouco mais) por causa da Nadia Comaneci. Para as mais jovens, explico: ela era uma romena incrível, na época em que existia o “bloco” da União Soviética (o que tornava tudo ainda mais misterioso) e foi a primeira ginasta estrela do mundo. Ela era a menina mais incrível do universo. Barbie? Susie? Bobagem. Deviam mesmo é ter lançado uma boneca da Nadia!

O vírus “menina” que bate em Olimpíadas é tão forte que começamos a fazer jogos mentais imaginários enquanto vemos as competições. Exemplo de brincadeira. Pensamos: a próxima que entrar sou eu. E ela perde. A gente rouba e passa “a ser a outra”. Também “perdemos” tempo analisando os uniformes e pensando qual usaríamos se fôssemos ginastas da seleção brasileira. Não sei se os homens também brincam de “que corte de cabelo eu usaria se eu fosse o Neymar.” Será?

Não existe filme, desenho animado ou novela que supere ver olimpíadas pela televisão. Ser a Julia Roberts? Eu não. Quero mesmo é ser ginasta, dar um triplo carpado com um collant cheio de brilho, usar sombra azul e posar do mortal impecável. Já ouço os aplausos. Yeah!

PS. Esse texto foi escrito durante a apresentação de ginástica rítmica. E não, não tentem me tirar de frente da televisão. Cada um tem o “brasileirão” que escolhe e brinca do que quer.