A última piada sem graça dos humoristas playboys

Estadão

15 de março de 2012 | 18h52

Eles estavam quietos demais. Mas voltaram a atacar. Quem são eles? A turma dos humoristas playboys, formada por aqueles sujeitos que acham que fazer piada chamando um negro de macaco é engraçado. E que falar que uma mulher feia merece ser estuprada é de rolar de rir. E nada ofensivo.
A turma, como se sabe, é jovem. E faz sucesso em stand ups e programas de TV, onde os integrantes recebem salários milionários. Eles têm uma defesa pronta contra quem, como essa jornalista, acha que chamar negro de macaco não tem graça e é absurdo. Se não gostamos deles, é porque somos politicamente corretos chatos. E a favor da censura. Escuta, é claro que ninguém aqui é a favor da censura. Mas chamar um negro de macaco é crime. Pronto.
A turma dos humoristas playboys andava quieta, depois de causar ano passado. Agora, estão envolvidos em outra confusão. Um moço, o tecladista Raphael Lopes, chamou a polícia durante um show de humor “Proibidão” de vários humoristas, entre eles Danilo Gentili, Fábio Rabin e Felipe Hamach, após ter sido chamado de macaco por um deles.
A história começa a ficar bizarra. “Proibidão”, para quem não sabe, é o nome dos funks que são de fato proibidos, pois fazem incitação ao crime, falam de armas etc. Bem playboy essa mania de pegar nome de coisa da favela e trazer para o asfalto, não? Detalhe. No Rio, MCs já foram presos por cantar essas músicas. Poucos saíram em sua defesa ou falaram que a censura tinha voltado no país.
Os humoristas playboys não temem ser presos. Mas têm, sim, medo de processos. Por isso, quem vai ao tal show “proibidão”, além de pagar os 60 reais de ingresso, tem que assinar um termo de compromisso onde garante que não vai se sentir ofendido ao ver tal espetáculo (e ouvir piadas contra mulheres, gays, deficientes etc). Espera! Como você pode saber se vai se ofender por antecedência? É tipo assinar um contrato pré-nupcial garantindo não ter ciúmes. Mas, e se o cara te trair? Não existe documento que garanta não se sentir ofendido. Nem magoado.
Os humoristas playboys não fizeram isso por acaso. Afinal, desde o ano passado, Danilo Gentili e Rafinha Bastos (os maiores expoentes da turma) estão envolvidos num amontoado de processos aplicados por politicamente corretos chatos que não acham legal piada que diz que estupro pode ser favor ou brincadeiras que envolvam campos de concentração.
É, os humoristas playboys são todos valentões e falam na cara mesmo. Falam mal de viado, mulher, preto e judeu. E depois reclamam quando a lei é aplicada. Racismo é crime, o cara chamar a polícia é um procedimento normal. Mas, enfim, nós, que achamos essas piadas, além de tudo sem graça, somos todos uns hipócritas. Pelo menos segundo a lógica dos humoristas playboys.

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