A MTV pode acabar? Sim, as coisas mudam

Estadão

17 Agosto 2012 | 13h36

Há meses (anos) o assunto “o fim da MTV” aparece vez ou outra em conversas entre pessoas “do meio”. A emissora estaria no vermelho, a Abril, dona da TV, teria outros planos para o canal e por aí vai. Quinta-feira, uma reportagem da “Folha de S. Paulo” disse que a MTV de fato pode ser vendida. A emissora negou.

Fato: as coisas mudam. E não necessariamente para pior (pelo contrário). Não sou mais público alvo da MTV faz tempo (as coisas mudam). Mas já fui e me lembro de momentos inesquecíveis:

-A estreia do canal com o clipe DE GAROTA DE IPANEMA EM VERSÃO DA MARINA LIMA.*

_ A performance de Michael Stipe em um VMA onde o REM ganhou vários prêmios por causa do ótimo clipe de “Losing my religion”: ele usou várias camisetas de protesto, uma por cima da outra, em uma época em que camisa de protesto não era moda e “protesto” era coisa de chato.

_ O acústico do Nirvana.

_A entrevista do Zeca Camargo com o Renato Russo na casa dele.

_O escândalo do Caetano em um VMA (Alô, emetevê!).

E muitas, muitas outras coisas. Não sou público alvo da emissora faz tempo, repito. Mas quem é deve guardar seus momentos inesquecíveis também.

Mas de novo, as coisas mudam. E a MTV não tem de maneira alguma a mesma importância para o mercado de música que já teve um dia. No passado, se um clipe (em geral uma superprodução caríssima) não passasse na MTV, ele não seria visto. Simples assim.

Hoje, as bandas independentes  lançam seus clipes da seguinte maneira. O  vídeo (uma produção barata) é exibido em uma festa-show. Depois, ele é colocado no Youtube e compartilhado no Twitter e no Facebook. Pronto. Se passar na MTV, ótimo. Se não passar, beleza.

“Fiz um clipe que nunca passou direito na MTV e nunca ganhou um VMB, mas tem um milhão de visitas no Youtube”, conta uma amiga diretora. No passado, seu clipe teria sido um fracasso.

A MTV pode acabar? Sim. Mas a TV tal qual a conhecemos também. Pensei nisso ontem, quando assistia ao vivo o pronunciamento do chanceler do Equador sobre o asilo concedido a Julio Assange. Assisti tudo do celular, deitada na cama, via streaming, sem sequer pensar em ligar a TV.

Sim, as coisas mudam. Em muitos casos, para melhor.

PS. Não, eu não quero que a MTV acabe, de jeito nenhum. Alguém quer?

*Eu tinha escrito que a emissora tinha estreado com “Flores” dos Titãs e me gabei de saber de memória. Errei e fui corrigida. Minha memória não anda tão boa assim. Mas as flores de plástico… NÃO MORREM! 🙂