“A Fazenda”: parece filme de terror, mas é reality show

Estadão

20 de junho de 2012 | 10h40

 

A trama é bizarra. Sua irmã morre assassinada. Você está dentro de uma casa disputando um reality show com famosos. Você recebe a notícia trágica. Vamos repetir: um assassinato. Uma tragédia. E você, bem, você decide ficar no programa. “Eu vou ficar porque eu sou forte. Se saísse era derrota”, disse Ângela Bismarchi, a irmã de Angelina, a moça assassinada. Ângela está confinada em “A Fazenda”, o reality show mais deprimente da TV brasileira.

Tudo é triste demais. “A Fazenda” em si já me faz ter vontade de chorar. Não consigo achar graça em  uma atração que parece um baile dos “losers” da classe das celebridades. Se você não deu certo no mundo da fama, você tem uma última chance, vá para “A Fazenda”! Ver essas imagens de gente tentando desesperadamente “voltar” ou dar “um up” é mais triste que um filme existencialista.

Agora, tudo ganha ares mais apavorantes. O que é ser guerreira? É ficar até o fim! Encarar! Passar por cima da dor. Banalizar o luto, que passa a ser exibido em um programa de TV!

Na edição passada, a “atração” era ver Monique Evans chorando. Sim, a musa, que já lutou contra uma grave depressão, se debulhava em lágrimas, desabafava sobre seus transtornos psicológicos. Tudo triste. Triste demais.

A Fazenda escancara uma crueldade da vida “mercadológica” que dói. É preciso competir! É preciso ganhar! Se o mercado te mandou embora, você que tente voltar, mesmo que seja cuidando nos porcos (no caso do programa, literalmente). Tudo já era trágico antes da morte da irmã da moça, que é conhecida como a campeã brasileira de cirurgia plástica (!!!). Agora, ficou desesperador. Uma moça transfigurada por plásticas, um assassinato terrível, lágrimas, competição.

Parece um filme de terror. Mas é só um reality show.

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