Uma vida inteira dedicada à Sicília

Talvez, a melhor definição para um filme como Baaría, que estreou nesta semana e tem 2h30 de duração, seria a de uma grande novela. Dirigido pelo premiado diretor Giuseppe Tornatore, de Cinema Paradiso (1988), o filme traça a epopeia de um personagem desde o seu nascimento em 1930, até os anos 80

Estadão

18 de setembro de 2010 | 08h01

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Felipe Branco Cruz

Talvez, a melhor definição para um filme como Baaría, que estreou nesta semana e tem 2h30 de duração, seria a de uma grande novela. Assim como as novelas que assistimos na televisão, o longa italiano, dirigido pelo premiado diretor Giuseppe Tornatore, de Cinema Paradiso (1988), traça a epopeia de um personagem, no caso Peppino Torrenuova (Francesco Scianna, em ótima atuação), desde o seu nascimento, na década de 30, até os anos 80. A diferença é que, enquanto numa novela, com seus personagens secundários e subtramas, é preciso até três meses para a história ser contada, no longa, há tudo isso, mas resumido em 150 minutos, o que deixa o longa um tanto confuso.

Baaría é um daqueles filmes que o espectador entra na sala de cinema cheio de expectativas por tudo o que o envolve. Como o próprio diretor já afirmou, trata-se da obra mais autobiográfica da carreira. Além disso, conta com a trilha sonora de Ennio Morricone – maestro italiano, autor da trilha sonora de Cinema Paradiso – e retrata uma Sicília ainda virgem, com todas as suas idiossincrasias. Enfim, quase um épico. O problema é que depois disso vem a decepção. A impressão que temos é a de que Tornatore fez um filme para sua família ou, no máximo, para os moradores da Sicília. Uma enxurrada de personagens são apresentados em cena, com um roteiro sem um foco específico, contando uma história simples, num longa que se arrasta.

A narrativa começa com Cicco Torrenuova, pai do protagonista Peppino, que cresceu com o governo fascista de Mussolini e na adolescência filiou-se ao Partido Comunista. Já velho, pai de vários filhos, ele passa a rever toda a sua vida. É aí que entra a parte autobiográfica, já que um dos filhos de Peppino, Pietro, é apaixonado por cinema e deixa a Sicília para ganhar a vida. Há espaço para crítica social, exploração dos mais pobres e a violência da máfia. Peppino é casado com Mannina, interpretada pela bela atriz Margareth Madè, 27 anos, promessa de se transformar em musa do cinema italiano.

Tecnicamente perfeito na fotografia, trilha sonora, montagem, figurino e cenários, o longa acaba por deixar a história em segundo plano. Marcante é a participação especial de Mônica Bellucci. Na única cena em que ela aparece, está com os seios à mostra, num amasso com um operário. Outro destaque é o cenário, que recria a cidade de Baaría nos anos 40, onde Peppino vive com sua família. Para isso, uma cidade cenográfica foi inteiramente construída na Tunísia, apenas para dar mais veracidade ao longa.

Veja o trailer do filme

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