Um épico de amor, aventura e humor brasileiro

Co-produção entre Brasil e Espanha, Lope narra o começo da trajetória do poeta espanhol Félix Lope de Vega, um dos expoentes do chamado Século de Ouro e do barroco espanhóis, autor de obras como Fuente Ovejuna e La Arcádia e contemporâneo de Miguel de Cervantes

Estadão

24 de outubro de 2010 | 11h49

Fernanda Brambilla

Co-produção entre Brasil e Espanha, Lope narra o começo da trajetória do poeta espanhol Félix Lope de Vega, um dos expoentes do chamado Século de Ouro e do barroco espanhóis, autor de obras como Fuente Ovejuna e La Arcádia e contemporâneo de Miguel de Cervantes. Sob a direção do carioca Andrucha Waddington, o filme de época ganhou um aspecto visual embasbacante, humor brasileiro – de Selton Mello, especificamente –, amor e poesia.

Durante nove semanas, a equipe filmou na Espanha e na cidade de Esauíra, no Marrocos, que proporcionaram ao longa um visual belíssimo. A narrativa começa com o retorno do jovem Lope da Armada Espanhola e sua chegada à cidade de Madri. No final do século 16, Madri é uma cidade suja e Lope, interpretado pelo surpreendente ator argentino Alberto Ammann, um jovem sem dinheiro, mas com muitos sonhos. No reencontro com a mãe moribunda, uma envelhecida e irreconhecível Sônia Braga, Lope finge ter juntado dinheiro em batalha, quando na verdade só traja uma bela roupa emprestada de um amigo. Lope sobrevive mal do trabalho de escrivão, dando toques de poesia nas cartas saudosas de mulheres que aguardam os maridos que lutam no front.

Quando Lope encontra um grupo de teatro, se encanta com o mundo de personagens, figurinos e situações fantásticas encenadas pela trupe. Inspirado, põe-se a escrever uma peça e tenta entregá-la ao dono da companhia. Com ajuda da filha do diretor, Elena (Pilar López de Ayala), Lope é recebido por ele, mas não tem muito sucesso. O empresário o emprega como copista, e ele passa a acompanhar a rotina da companhia. Aos poucos, Elena se rende ao charme do poeta que, com versos certeiros, ganha o coração da nobre.

O caso de amor entre os dois estremece com a volta do marido de Elena à cidade. Abalado, o volúvel poeta volta as atenções à sua amiga de infância, Isabel (Leonor Watling). Entra então a figura de um marquês que, sem talento, paga Lope para impressionar Isabel com seus versos. O personagem, interpretado por Selton Mello, deixa a desejar no espanhol, mas funciona como elemento de comédia que desequilibra o drama.

Além das confusões no amor, as palavras de Lope também surtem seu efeito no público dos espetáculos teatrais, e o poeta tem sua rendição com plateias sempre cheias.