Traumas da maternidade

Em 'Destinos Ligados', que estreia hoje (13), três mulheres e um tema em comum: a relação entre mãe e filho. Em meio a isso, a adoção. Com Annette Bening, Naomi Watts, Kerry Washington e Samuel L. Jackson

Estadão

13 de agosto de 2010 | 11h47

 

PEDRO ANTUNES

Três mulheres e um tema em comum: a relação entre mãe e filho. Em meio a isso, a adoção. Tão diferentes, tão iguais. Karen (Annette Bening), Elizabeth (Naomi Watts) e Lucy (Kerry Washington) são decididas, bem-sucedidas e independentes, cada uma à sua maneira, mas os problemas com a maternidade as une mais do que poderiam imaginar.

Em ‘Destinos Ligados’, que estreia hoje, os personagens masculinos ficam em segundo plano. Na verdade, aparecem presos ao seu papel natural mais básico: a reprodução. O mesmo vale para o personagem de Samuel L. Jackson, que interpreta Paul, o chefe de Elizabeth.

Ela é a mais bem-sucedida das três personagens principais, mas também é a mais problemática. Abandonada pela mãe ao nascer, Elizabeth criou uma barreira que a separa do resto do mundo. É um advogada de sucesso, solteira, sem ligação afetiva com outras pessoas.

Aos 37 anos, é atraente e consegue qualquer homem que deseja. Pode ser seu chefe ou o vizinho casado. Esse frio simulacro apenas esconde seus traumas de infância: ela nunca se recuperou do fato de ter sido abandonada pela mãe e pela precoce morte dos seus pais adotivos. Desde os 17 anos, vive sozinha.

E nessa época, se submeteu a uma cirurgia contraceptiva. O destino da moça, porém, lhe prega uma peça daquelas: ela está grávida e não sabe quem é o pai.

Ela não sabe, mas isso irá unir Lucy e Karen profundamente. A primeira divide com o marido a vontade desesperadora de ter um filho. Mas Lucy é estéril. A adoção passa a ser uma alternativa, mesmo que isso signifique o fim do seu casamento.

Já Karen chega à meia-idade solteirona e morando com a mãe. A gravidez na adolescência e, posteriormente, o abandono da criança para adoção, deixaram feridas difíceis de cicatrizar. Ela evita qualquer contato com crianças. Tem medo do que pode sentir por elas e, pior, teme que as dores antigas possam voltar. Até a meiga filhinha da empregada é tratada com desprezo. Tudo muda com a morte de sua mãe, que a faz procurar pela filha abandonada.

O longa se mantém com a história dessas três personagens fortes. Com doses certas de drama, o roteiro é bem entrelaçado, apesar de o nome escolhido em português, ‘Destinos Ligados’, entregue logo de cara o seu desfecho – em inglês é ‘Mother and Child’, “mãe e filho”, em português. Resta ao espectador a boa surpresa de como isso acontece.

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