Romance gay entre risos e lágrimas

O Golpista do Ano, filme que estreia hoje, já foi exibido em São Paulo em novembro passado, durante a Mostra Internacional de Cinema. Na época, o longa ainda atendia pelo título original I Love You Phillip Morris.

Estadão

04 de junho de 2010 | 10h04

Rodrigo Santoro faz par romântico com Jim Carrey

Rodrigo Santoro faz par romântico com Jim Carrey

Felipe Branco Cruz

O Golpista do Ano, filme que estreia hoje, já foi exibido em São Paulo em novembro passado, durante a Mostra Internacional de Cinema. Na época, o longa ainda atendia pelo título original I Love You Phillip Morris. Cômico e dramático, o enredo é baseado no livro homônimo de Steve McVicker e conta a história de Steve Russel, que se apaixona na cadeia por Phillip Morris. Quando Morris é libertado, Russel foge quatro vezes só para encontrá-lo. Por coincidência (ou não), o longa estreia nos cinemas de todo o País no mesmo fim de semana da Parada Gay da capital paulista.

O destaque do filme é seu elenco estrelar, com os astros de Hollywood Jim Carrey (Russel) e Ewan McGregor (Morris) como protagonistas e o brasileiro Rodrigo Santoro (Jimmy Kemple) num bom papel de apoio. Outro ponto que merece atenção especial é a atuação de Carrey, cada vez mais afiada. Sua vocação para o humor dá a essa história, a princípio dramática, um tom leve e divertido. Os tons de drama, no entanto, estão presentes e são capazes de arrancar algumas lágrimas da plateia.

O filme é baseado na história real do ex-policial Steve Russel. Um dia, ele sofre um acidente e no hospital decide assumir para a sua mulher que é gay e resolve se mudar para a Flórida, onde conhece seu primeiro namorado: Jimmy (Santoro). Logo, cria uma teoria de que para ser um gay feliz é preciso ter muito dinheiro. Para isso, começa a fazer pequenos trambiques, até que vai preso. Para tornar a história mais forte, Jimmy morre de Aids. Na cadeia, Russel conhece Phillip Morris e por ele desenvolve uma paixão arrebatadora. Depois que Morris é libertado, Russel foge das formas mais criativas possíveis da cadeia apenas para ver o namorado.

Em entrevistas concedidas em novembro do ano passado, durante a Mostra Internacional, Rodrigo Santoro e os diretores Glenn Ficarra e John Requa, deram as suas opiniões sobre o filme. “A química sexual entre Santoro e Jim Carrey era muito grande e estava se sobressaindo na história principal”, disse, ao JT, Glenn Ficarra. Esse, aliás, foi um dos motivos que levaram os diretores a cortar uma cena em que Santoro beija Carrey na boca. “Mas a cena estará nos extras do DVD”, diz Ficarra.

Santoro recebeu o corte como um elogio. “O meu personagem estava puxando a atenção, e não deveria ter espaço na trama. Os diretores disseram que iam fazer um elogio a mim, que era cortar a cena do beijo, porque eu estava muito bem”, conta Santoro. O ator brasileiro rebateu qualquer possibilidade de sua atuação neste filme render comentários associando seu trabalho a papéis de homossexuais, já que ele interpretou um travesti em Carandiru e imprimiu um certo ar gay no papel de Xerxes, no filme 300 (veja box abaixo). “Eu fiz muito mais filmes como hétero. Ou seja, matematicamente, eu teria de ser tachado como ator hétero, não?”.

Para os padrões de Hollywood, O Golpista do Ano teve um orçamento baixo, de US$ 20 milhões – cachê que estrelas como Julia Roberts, Sandra Bullock e Tom Hanks ganham por filme. Segundo os diretores, tanto Jim Carrey quando Ewan McGregor cobraram cachê baixo. O valor exato, no entanto, eles não revelam. Além disso, o verdadeiro Phillip Morris e o autor do livro, o jornalista Steve McVicker, participam do filme. O primeiro como advogado de Russel e o segundo, como juiz do tribunal. Steve Russel também colaborou com a história. “Fomos na cadeia conversar com ele”, diz o diretor. “Está tudo bem com ele. Mas talvez ele esteja planejando uma nova fuga”, brinca Ficarra.

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