Quando o terror une mundos diferentes

Duas pessoas que, em circunstâncias normais, nunca se encontrariam, têm suas vidas ligadas pelos atentados terroristas que aconteceram em 7 de julho de 2005, em Londres. Esse é o mote do filme inglês London River, dirigido por Rachid Bouchareb, que estreia hoje no circuito comercial

Estadão

01 de outubro de 2010 | 11h46

Felipe Branco Cruz

Duas pessoas que, em circunstâncias normais, nunca se encontrariam, têm suas vidas ligadas pelos atentados terroristas que aconteceram em 7 de julho de 2005, em Londres. Esse é o mote do filme inglês London River, dirigido por Rachid Bouchareb, que estreia hoje no circuito comercial. Mesmo tão distantes geográfica e culturalmente, o muçulmano africano Ousmane e a protestante inglesa Senhora Sommers, em sua essência, têm mais coisas em comum do que eles podem sugerir à primeira vista.

Ousmane é um senhor de idade, negro alto, de mais de dois metros, com uma vasta cabeleira no estilo rastafári. Tem dificuldades para andar e leva uma vida simples nas ilhas Channel, pertencentes à França, no Canal da Mancha.

Ela, que também vive da terra, cuida de uma fazenda, num lugar distante de Londres. Em comum, além da vida simples, eles têm filhos que são estudantes em Londres. Após os atentados, que atingiram a rede de metrô e um ônibus, o instinto materno da Senhora Sommers fala mais alto e ela pressente que algo de ruim pode ter acontecido com sua filha.

Sem hesitar, ela viaja à capital inglesa em busca de notícias. Ousmane também vai a Londres, mesmo não falando uma palavra em inglês. Sua ex-mulher, que vive na África, pede que ele vá até a Inglaterra para saber se o filho está vivo. A diferença é que ele não o vê há mais de 15 anos e não tem a menor ideia de onde ele mora ou estuda. Ousmane inicia a busca pela comunidade muçulmana. Por lá, é informado onde o menino vive e, por coincidência, mora na mesma casa que a filha da Senhora Sommers.

O que se vê em seguida é uma história de superação de preconceitos de raça e religião e uma busca pelo mesmo objetivo: o paradeiro dos filhos. Juntos eles compartilham as esperanças e tristezas com um desfecho realmente avassalador. Sem afetações e com uma narrativa sóbria, o longa vai se desenrolando com pequenos indícios do porquê duas pessoas tão diferentes resolveram morar juntas e por que, misteriosamente, desapareceram após os atentados. Afinal, o que teria acontecido com eles? Seriam eles os mentores dos ataques? Eles seriam vítimas? Ou nada disso. Eles teriam apenas embarcado numa aventura juvenil inconsequente?

Impossível saber. London River é, antes de tudo, um drama humano sobre como as pessoas reagem a eventos como esses.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: