Quando é o coração quem manda

O sujeito tem uma namorada linda. Ainda assim, seu coração bate forte mesmo é por outros homens. Não, ele não é homossexual. E, tecnicamente, o coração não é seu.'Instinto de Vingança', que chegou esta semana aos cinemas, possui esse mote estranho

Estadão

24 de outubro de 2010 | 05h00

PEDRO ANTUNES

O sujeito tem uma namorada linda. Ainda assim, seu coração bate forte mesmo é por outros homens. Não, ele não é homossexual. E, tecnicamente, o coração não é seu.’Instinto de Vingança’, que chegou esta semana aos cinemas, possui esse mote estranho. Na tentativa de criar um thriller eletrizante, o diretor Michael Cuesta (de seriados como ‘True Blood’, ‘A Sete Palmos’ e ‘Dexter’) se perdeu na história de um homem comandado por um coração que lhe foi doado. Ciência e lógica foram para as cucuias.

O início do longa já mostra quem é a estrela principal. São quase cinco minutos mostrando o tal coração para lá e para cá. Sempre em primeiro plano, até chegar ao peito de Terry Bernard, vivido por um performático Josh Lucas, de ‘Uma Mente Brilhante’ (2001).

Bernard vive sozinho com a filha, Angela (Beatrice Miller), cujos braços aos poucos perdem movimento, por causa de uma doença. Ao mesmo tempo em que cuida da menina, ele flerta com a bela pediatra Elizabeth Clemson (Lena Headey).
Mas Bernard não contava que o órgão nele transplantado seria tão rebelde e com vontade própria. Descobre, então, que o doador fora assassinado e agora, sempre que passa por algum dos responsáveis pelo crime, o ritmo cardíaco dispara alucinadamente. Ele se deixa levar por um instinto de matador, caça os algozes de seu doador. Se ele não obedecer, corre risco de enfarte.

O longa, que segue com roteiro sofrível, é meramente baseado no conto ‘O Coração Delator’, de Edgar Allan Poe. Mas talvez a maior semelhança seja o nome de ambos, filme e conto, em inglês: ‘Tell Talle’. Melhor para Allan Poe.