Pior do que tragédia grega

Em Busca de Uma Nova Chance, que estreia hoje, é um daqueles dramalhões de arrasar a audiência como há muito tempo não se via no cinema

Estadão

18 de junho de 2010 | 06h52

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Felipe Branco Cruz

Em Busca de Uma Nova Chance, que estreia hoje, é um daqueles dramalhões de arrasar a audiência como há muito tempo não se via no cinema. É quase certeza que em 100% das salas de exibição do mundo inteiro pelo menos uma pessoa terminará de assistir ao longa com os olhos inchados e vermelhos de tanto chorar. Trata-se de um drama tão intenso e forte que o roteiro deixa poucas brechas para que o espectador tome um fôlego. É dramalhão do início ao fim, o que não significa que este seja um filme ruim. Pelo contrário. Apesar de, provavelmente, os espectadores saírem do cinema vertendo lágrimas, a sensação será a de ter acompanhado uma boa história.

O filme é dirigido pela estreante Shana Feste, que escolheu o elenco a dedo. Pierce Brosnan e Susan Sarandon formam o casal Allen e Grace Brewer, que acabou de perder o filho, de 18 anos, morto num acidente de carro. Carey Mulligan, a bela atriz indicada ao Oscar por Educação (2009), é Rose, a namorada do rapaz morto.

Os primeiros cinco minutos de exibição dão o tom do longa-metragem. Rose e Bennett (vivido por Aaron Johnson) se apaixonam na escola. Eles decidem perder a virgindade juntos, episódio mostrado de forma sublime numa bela sequência. Em seguida, a cena é cortada para os dois voltando para casa, quando Bennett para o carro no meio da estrada e declara seu amor a Rose.

A namorada tira uma foto dele e, assim que Bennet termina de dizer “Estou apaixonado por você”, um caminhão vindo na contramão se choca contra o automóvel. Tudo isso acontece em apenas cinco minutos de filme.

A família do rapaz, aparentemente bem estruturada, é completamente abalada, e a morte de Bennett acaba gerando uma série de distúrbios que envolvem infidelidade do pai, luto da mãe e um vício de drogas por parte do irmão mais novo, Ryan Brewer (Johnny Simmons). Para piorar ainda mais, Rose aparece na casa da família dizendo que está grávida e que não tem para onde ir, pois sua mãe é viciada em drogas. A partir de então, a família terá de, além de lidar com o luto, gerenciar a presença de uma grávida quase estranha.

Nos diversos conflitos da trama, a mãe tenta, de todas as formas, descobrir o que o garoto disse nos 17 minutos seguintes ao acidente, quando ainda estava vivo. O pai, por sua vez, se esforça para ser forte, mas não consegue conversar sobre o filho morto. O irmão tenta superar a perda do mais velho, frequentando reuniões de jovens enlutados. Enfim, desgraça atrás de desgraça.

Aos espectadores, vai um aviso: os momentos de felicidade são raros. Não adianta nem torcer, porque se uma cena trouxer drama, pode ter certeza de que a seguinte será ainda mais pesada. Um longa para comover até os corações mais duros.

Veja o trailer:

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