Os deuses estão loucos

Estadão

21 de maio de 2010 | 12h04

Sam Worthington interpreta Perseu. (Foto: Divulgação)

Sam Worthington interpreta Perseu. (Foto: Divulgação)

Fúria de Titãs estreia hoje, misturando mitologia grega, invencionices de Hollywood, efeitos especiais e guerras

Da megaprodução Fúria de Titãs, que estreia hoje (22/05), são poucos os elementos que seguem à risca a mitologia grega. Sob o pretexto de adaptar a história para os dias atuais, os produtores alteraram boa parte da saga de Perseu. Segundo a mitologia, Perseu é um semideus. Fecundado por Zeus, ele nasceu do ventre de Danae, mulher do rei Acrísio, da cidade de Argos. Quando adulto, Perseu desafiou o pai, viajou até o mundo subterrâneo dominado por Hades, irmão de Zeus, e cortou a cabeça da Medusa. Na volta para casa, matou o monstro marinho Kraken e libertou a princesa Andrômeda. Esses elementos estão no filme. De resto, o que se vê é invencionice de Hollywood e nada tem a ver com a mitologia.

O filme, que custou US$ 125 milhões, é um remake de um longa dirigido por Ray Harryhausen, em 1981. No atual, dirigido por Louis Leterrier, Perseu é interpretado pelo ator Sam Worthington, de Avatar e O Exterminador do Futuro 4. O longa deverá agradar a quem gosta de filmes de ação, mas deixará frustrado os amantes da mitologia grega. A produção é bem feita, com bestas mitológicas, deuses e humanos se enfrentando em guerras sem fim. Tudo isso poderia servir como ingrediente mais do que suficiente para um filme em 3D. Mas as cenas em terceira dimensão foram adicionadas após o filme já estar pronto apenas para justificar sua exibição nas salas com essa tecnologia. Tanto é que dificilmente você vai se assustar com o pedaço do rabo de alguma besta mitológica voando em sua direção na plateia.

Astros no elenco
No panteão sagrado, Zeus é interpretado por Liam Neeson, e Hades, por Ralph Fiennes. Mas o excesso de efeitos ofuscam os rostos dos deuses, pois quando estão no Olimpo, eles ficam cercados por uma aura de luz fosforescente. Além disso, outros deuses, como o irmão de Zeus, Poseidon, e os filhos Apollo e Atenas, quase não aparecem na história e participam menos do que os coadjuvantes. Outro detalhe: apesar do título Fúria de Titãs, ironicamente nenhum titã faz parte da história.

Sam Worthington não parece à vontade no papel de Perseu e não convence como mocinho. Sua atuação como androide em Exterminador do Futuro é muito melhor. Talvez sua atuação também tenha sido ofuscada pela quantidade exorbitante de efeitos especiais. O ponto positivo disso é poder ver, com riqueza de detalhes, pégasus voando, escorpiões gigantes surgindo no meio do deserto e o monstro Kraken devastando Argos como se fosse a coisa mais natural do mundo.

A expectativa no Brasil é grande, caso se repita no País o sucesso que o filme fez nos Estados Unidos. Por lá, em seu primeiro final de semana de estreia, ele ficou em primeiro lugar, arrecadando nada menos que US$ 61,4 milhões, recorde para o período da Páscoa. A marca anterior pertencia a Todo Mundo em Pânico 4, de 2006, que estreou com US$ 40,2 milhões.

O balanço final, no entanto, é que, caso Zeus existisse de verdade, nós humanos teríamos de aguentar toda a força da sua fúria. Certamente, o deus grego não ficaria nem um pouco satisfeito com a forma como foi representado no cinema.

(Felipe Branco Cruz)

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