Mais que um remake, 60 anos depois

Estreia hoje (13) 'O Aprendiz de Feiticeiro', filme inspirado em aventura do Mickey Mouse em 'Fantasia', de 1940, que leva o mundo dos feiticeiros para Nova York atual

Estadão

13 de agosto de 2010 | 11h54

PEDRO ANTUNES

Ele não é um rato, como Mickey Mouse, mas quando o assunto é magia, ambos não passam de dois aprendizes desastrados. E 60 anos separam os dois personagens. ‘Aprendiz de Feiticeiro’ era apenas um capítulo do filme ‘Fantasia’, lançado em 1940. Mas a graça com que o ratinho mais famoso do mundo conduzia sua péssima tentativa de controlar magicamente vassouras e baldes marcou mais de uma geração.

Dave Stutler (Jay Baruchel, de ‘Como Treinar seu Dragão’ e ‘Trovão Tropical’) é a versão século 21 do mascote da Disney. Toda a história foi ampliada e trazida para Nova York atual. Dave é apenas um atrapalhado estudante de física. Mas nem sempre foi assim. Ele já foi um garoto cool.

Quando tinha 10 anos, Dave “acidentalmente” – entre aspas, mesmo, porque ele era destinado a estar lá naquele momento –, entra numa loja de antiguidades Arcana Cabana. Lá, encontra um sujeito esquisito: cara de maluco, cabelo de maluco, papo de maluco. É Balthazar Blake, vivido por Nicolas Cage, um feiticeiro milenar que passou os últimos mil anos procurando por seu aprendiz.

Para testar o guri, Blake lhe entrega um dragão prateado em miniatura. O objeto ganha vida e transforma-se num anel mágico – que pertencia a Merlin, aquele mesmo das histórias do Rei Artur e a Távola Redonda. Isso só aconteceria quando o verdadeiro sucessor fosse encontrado. Animado, deixou o garoto sozinho por alguns minutos. Foi o suficiente para que Dave criasse o caos.

Desastrado, ele abriu uma matrioshka – aquela boneca russa recheada com várias bonequinhas dispostas em ‘camadas’ dentro de si –, e libertou o feiticeiro Maxim Horvath (Alfred Molina). Ao tentar tomar o receptáculo do garoto, grande batalha entre dois poderosos feiticeiros se inicia. O garoto Dave foge desesperado, derruba líquido em sua calça e, quando encontra o resto da sua classe, é ridicularizado por estar com as calças molhadas. Depois disso, sua vida nunca mais foi a mesma.

Para entender a razão da batalha entre Blake e Horvath, é preciso retroceder no tempo. No ano 740 depois de Cristo, os dois e a bela Verônica eram aprendizes de Merlin. Os rapazes, porém, se apaixonaram pela garota. Nessa batalha, Blake levou a melhor, e Horvath foi para “o lado negro da força”, juntando-se a Morgana, a mesma da história do rei Artur.

Ele a ajudou a matar seu antigo mestre. Num sacrifício final, Verônica incorporou a feiticeira maligna e se fechou no receptáculo. Horvath foi preso também e, agora livre, pretende soltar Morgana e dominar o mundo.

Somente Dave pode, enfim, derrotá-los. E Blake tem o dever de ensiná-lo. As lições são os melhores momentos do filme. As trapalhadas do aprendiz conseguem arrancar alguns sorrisos. A história de Mickey cresceu em duração e enredo. Os inimigos não são mais as vassouras descontroladas, apesar destas terem uma hilária participação.

Mas perdeu em fantasia, com o perdão do trocadilho. Nicolas Cage e Alfred Molina mereciam mais. Estão insossos. É Jay Baruchel, como o aprendiz, que ganha a cena. Ele e suas trapalhadas. E se olhá-lo com certa maldade, não é que ele e Mickey têm uma certa semelhança?

Veja ‘Aprendiz de Feiticeiro’, com Mickey Mouse, de 1940:

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