Kung-fu Kid, isso sim

A história que conquistou plateias ao redor do mundo há mais de 25 anos tem tudo para repetir o sucesso. A refilmagem do longa 'Karate Kid', um dos grandes clássicos de luta da década 80, estreia hoje (27), nos cinemas brasileiros

Estadão

27 de agosto de 2010 | 04h05


Trailer do filme ‘Karate Kid’

FELIPE BRANCO CRUZ

O enredo é o mesmo do primeiro ‘Karate Kid’, lançado em 1984. Um menino muda-se para outra cidade, se apaixona por uma garota e apanha na escola de valentões lutadores de artes marciais que treinam com um professor sem escrúpulos.

O garoto decide se defender por conta própria e apanha ainda mais. As coisas começam a mudar quando ele conhece um mestre que lhe ensina os segredos da luta – o que exige, obviamente, muita disciplina. Para defender sua honra, o menino se inscreve no campeonato nacional e, depois de muitas trapaças dos adversários, ganha o campeonato e o amor da mocinha. E nem poderia ser diferente.

A história que conquistou plateias ao redor do mundo há mais de 25 anos tem tudo para repetir o sucesso. A refilmagem do longa ‘Karate Kid’, um dos grandes clássicos de luta da década 80, estreia hoje com duas mudanças: o menino não aprende caratê, e sim kung-fu, e a história se passa em Pequim, na China, país de origem de Jackie Chan, que protagoniza o longa, ao lado do ator-mirim Jaden Smith, mais conhecido como o filho do astro de Hollywood Will Smith.

Chan encarna o célebre personagem senhor Miyagi, que agora responde pelo nome de senhor Han. E o inesquecível Daniel Larusso – imortalizado como Daniel San – na nova versão é Dre Parker, que está ainda mais jovem – no original, o garoto era um adolescente e agora é um menino em torno dos 12 anos.

A história começa quando Dre muda-se com sua mãe de Detroit, nos Estados Unidos, para a China, onde tem dificuldades para se adaptar à cultura e à língua locais. Um dos fatores positivos do filme é o desempenho de Jackie Chan, num papel maduro e dramático, como ele nunca havia feito no cinema, onde ele é mundialmente conhecido por seus malabarismos, lutas fantásticas e caretas.

No longa, ele é um zelador ressentido com a vida e que vê na possibilidade de ajudar o garoto a chance de se redimir. O filme é dirigido por Harald Zwart e produzido pelos pais de Jaden (Will e Jada Smith), em parceria com Jerry Weintraub, um dos responsáveis pelo primeiro longa.

O resultado é um filme emocionante e repleto de ação, capaz de encantar os mais jovens e causar saudade nos mais velhos. Funciona quase como uma homenagem à primeira versão, inclusive com cenas marcantes do original – como uma em que o mestre pega uma mosca. No primeiro filme, o senhor Miyagi tenta pegar uma mosca com dois palitinhos. No novo, o senhor Han mata o inseto com um pá e, aí sim, pega-a com o palitinho.

Mas o grande encanto do novo ‘Karate Kid’ deve ser mesmo o desempenho do pequeno Jaden Smith, 12 anos. O menino, que já tinha mostrado muito talento no belo ‘À Procura da Felicidade’ – no qual contracena com o pai – mostra que, de fato, herdou os genes artísticos. Sua atuação é admirável. Além de demonstrar sensibilidade em várias cenas, ele também exibe fabuloso preparo físico, resultado do treinamento intensivo de kung-fu que fez para o papel.

Assistindo ao longa, não fica a menor dúvida de que se está diante de um garoto que é excelente em artes marciais. A efeito de comparação: as novas cenas de luta são muito melhores e reais do que as do filme de 1984.

Além de ‘À Procura da Felicidade,’ Jaden também teve bela atuação em ‘O Dia Em Que a Terra Parou’, ao lado de Keanu Reeves e Jennifer Connelly. A única crítica a ser feita ao longa é, mesmo, em relação ao título. Para despertar o sentimento saudosista nos mais velhos, a produção manteve o “karate” no título. Na China, no entanto, o filme será chamado de Kung-fu Kid, como uma forma de não desonrar a milenar cultura chinesa.

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