‘Febre do Rato’ chega com vocação para chocar

Pronto desde 2010, somente hoje, dois anos depois, é que o cineasta pernambucano Cláudio Assis conseguirá lançar seu novo longa, Febre do Rato. Mesmo assim, o filme estará em apenas três salas brasileiras. Trata-se de um dos projetos mais polêmicos e também um dos mais maduros de Assis, que dirigiu Amarelo Manga (2003) e Baixio das Bestas (2007)

Estadão

22 de junho de 2012 | 14h38

Por Felipe Branco Cruz

Pronto desde 2010, somente hoje, dois anos depois, é que o cineasta pernambucano Cláudio Assis conseguirá lançar seu novo longa, Febre do Rato. Mesmo assim, o filme estará em apenas três salas brasileiras. Trata-se de um dos projetos mais polêmicos e também um dos mais maduros de Assis, que dirigiu Amarelo Manga (2003) e Baixio das Bestas (2007). No ano passado, o título participou do Festival de Cinema de Paulínia, recebendo oito prêmios, inclusive o de Melhor Filme. “O cinema brasileiro é cruel com os realizadores. Apesar de ganharmos um monte de prêmios, só agora conseguimos estrear”, comentou o diretor na divulgação do longa.

O trabalho, no entanto, deve dividir a plateia. Filmado em preto e branco, com fotografia de Walter Carvalho, repleto de cenas de nudez explícitas, palavrões e com uma história forte, Febre do Rato, definitivamente não é um filme fácil. “Isso é cinema”, diz Assis. “Cinema é feito para arrumar e desarrumar a cabeça.” Algumas canções da trilha sonora são assinadas por Jorge Du Peixe (integrante do Nação Zumbi), dando um clima de mangue beat.

Ambientado no Recife, em Pernambuco, às margens do rio Capibaribe, o roteiro conta a história do poeta anarquista Zizo, interpretado por Irandhir Santos (o Fraga, de Tropa de Elite 2). Sempre com uma poesia na ponta da língua, Zizo é cercado por pessoas que estão à margem da sociedade. Seus amigos são interpretados por Matheus Nachtergaele, Juliano Cazaré e Vitor Araújo, entre outros. “Como ator, quero que o filme seja visto como foi Tropa de Elite 2”, diz Irandhir. “Em comum, acho que Tropa 2 e Febre são filmes que acreditam na história que está sendo contada”, continua ele, que participou do filme de maior público do Brasil (mais de 11 milhões de espectadores) e agora está neste, que será lançado em apenas três salas.

O verborrágico Zizo é dono de um jornalzinho batizado de “Febre do Rato”. O título faz referência a uma expressão popular no Nordeste usada para designar alguém que está fora de controle. Com um megafone e a ajuda dos amigos, ele berra pelas ruas do Recife palavras de ordem contra tudo e contra todos. Zizo também é conhecido por gostar de fazer sexo com mulheres mais velhas dentro de uma caixa d’água, mas acaba se apaixonando por Eneida, uma estudante secundária interpretada por Nanda Costa. Entre os amigos de Zizo está Pazinho, personagem de Matheus Nachtergaele, que é um coveiro apaixonado por um travesti. “Cláudio Assis não abre mão do que acredita para se adaptar ao mercado”, diz o Nachtergaele, que também atuou nos outros dois filmes do diretor. “Em cada um dos trabalhos eu tive a honra de lidar com algo forte. O que mais me divertiu foi Amarelo Manga. No Baixio das Bestas, meu personagem era um homem horroroso. Foi tenso”.

Com vocação nata para chocar, de fato, o título não faz concessão para agradar. “Febre do Rato tem atitude. E que não tem atitude, rasteja. Meu filme não é a novela das oito”, declara o diretor.

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