Como é bom voltar aos anos 80

'A Ressaca' é um filme que mistura elementos tão diversos como piadas de comédias besteirol, viagens no tempo, roupas e costumes dos anos 80, e, ainda assim, consegue ser divertido

Estadão

10 de setembro de 2010 | 06h00


Trailer de ‘A Ressaca’

PEDRO ANTUNES

Quatro amigos conseguem aquilo que muitos gostariam: voltar no tempo depois de uma bebedeira daquelas. O problema é que eles voltaram um pouquinho demais: até o ano de 1986.’A Ressaca’ é um filme que mistura elementos tão diversos como piadas de comédias besteirol, viagens no tempo, roupas e costumes dos anos 80, e, ainda assim, consegue ser divertido.

Em 2010, Adam (John Cusack), Nick Weber (Craig Robinson), Lou Dorchen (Rob Corddry) e Jacob (Clark Duke) são perdedores natos. Adam, Nick e Lou chegam à meia-idade sem terem alcançado seus sonhos adolescentes. Ressentem-se das escolhas do passado. O ano de 1986 vive nas suas memórias de forma nostálgica, idealizada. Uma das melhores lembranças de suas vidas sem graça.

Cusack interpreta um sujeito metódico, chato e infeliz. Nada lembra o garotão que era o centro das atenções, 24 anos atrás. Sua namorada o largou e agora ele se vê morando apenas com o sobrinho nerd, um filho quase abandonado de sua irmã desajuizada e alcoólatra. Por falar nisso, Lou é a completa personificação da falta de juízo. Inconveniente e sem o menor pudor, ele ainda se vê como um roqueiro bonitão dos anos 80, mesmo agora, de terno, e com os cabelos já em falta.

Por fim conhecemos Nick. Aquele que antes era um rapaz descolado, com cabelo black power estiloso e metido a músico, agora ganhou alguns (muitos) quilos e trabalha num pet shop, sempre de mau humor. A cena em que é apresentado, retirando um molho de chaves do orifício anal de um cachorro, diz tudo.

No longa, cada personagem é apresentado didaticamente. São situações cotidianas que expõem os problemas de cada um. Quando Lou, bêbado, tenta se matar ao ficar na garagem fechada e com o carro ligado, os amigos que então estavam afastados voltam a se ver. É o ponto de reunião dos personagens. Fica decidido: eles voltarão para o Kodiak Valley, uma estação fictícia de esqui na qual eles viveram grandes momentos. Como no saudoso Winterfest’86.

Eles só não pensaram que o tempo também passaria para a estação. Os anos de diversão acabaram por ali. Tentando reviver os bons momentos, os três amigos e o sobrinho compram garrafas e mais garrafas de bebida e tentam aproveitar a noite num ofurô abandonado. No meio da farra, derrubam bebida nos circuitos do equipamento. A pane transforma a engenhoca numa máquina do tempo. Toda a confusão começa. E eles acordam, na maior ressaca, no último dia da Winterfest.

O grande problema é que eles não podem mudar nada do que fizeram no passado. O que cria uma série de situações cômicas. A presença do personagem do sobrinho nerd Jacob é essencial para fazer com que o público compreenda os acontecimentos.

É dele também que surgem as cenas mais engraçadas. O choque cultural entre um viciado em tecnologia dos dias atuais com os anos da ‘disco’ provoca muitas risadas. Numa cena, por exemplo, ele tenta manter um diálogo com uma garota e, por fim, pedir seu e-mail. Com esse choque, o filme funciona para quem viveu ou nasceu nos anos 80.

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