Clássico dos games vira filme

Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo acaba de estrear nas salas de cinema do Brasil, com direção de Mike Newell. O roteiro é inspirado no game homônimo, lançando em 2003

Estadão

04 de junho de 2010 | 08h49

Cenas do filme 'Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo'

Cenas do filme 'Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo'

Pedro Antunes

Num quarto em Nova York, na casa dos pais, Jordan Mechner passava dias e noites na frente do seu computador Apple II, tentando criar um novo jogo que explorasse um universo ainda esquecido pela recém-nascida indústria dos videogames: a Pérsia antiga. Inspirado diretamente nos filmes de Indiana Jones, principalmente nos primeiros dez minutos de Os Caçadores da Arca Perdida (1981), nos quais Harrison Ford corre, pula sobre um poço e erra, ficando agarrado apenas com a ponta dos dedos, Jordan criou o conceito do primeiro jogo Príncipe da Pérsia, em 1989, com um personagem que interage mais com o cenário.

No game, o príncipe deveria escapar de uma prisão, percorrer os labirintos, enfrentar soldados persas, salvar a princesa e, claro, ficar dependurado à beira de um penhasco – como em Indiana Jones. Desde aquele jogo em 2D, foram lançadas outras 12 edições – uma das franquias mais duradouras da história dos games.

Passados 21 anos, o príncipe saiu das telinhas do computador e chegou às telonas do cinema. De quebra, ganhou um nome, Dastan, e um rosto definido, de bom moço, do ator americano Jake Gyllenhaal, indicado ao Oscar por sua atuação em O Segredo de Brokeback Mountain.

Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo acaba de estrear nas salas de cinema do Brasil, com direção de Mike Newell (Harry Potter e o Cálice de Fogo). O roteiro do longa é inspirado no game homônimo, lançando em 2003 para Playstation 2 e Xbox.

No filme, Dastan é um menino de rua que já fazia suas macaquices pelos mercados persas, pulando entre as tendas, se pendurando em tudo que fosse possível, até ser adotado pelo Rei Sharaman (Ronald Pickup). Apesar de não ter sangue real, o garoto cresce em meio ao luxo e se torna um valioso guerreiro. Aconselhados pelo tio, Nizan, interpretado por Ben Kingsley, Dastan, seus irmãos e o exército persa invadem a cidade de Alamut.

Ocorre que tudo não passava de uma armação do tio para tomar posse da Adaga do Tempo, um artefato místico que dá ao seu portador o incrível poder de voltar no tempo. Outra armação do tio coloca Dastan como o assassino do rei e seu pai adotivo. O príncipe, então, foge com a Adaga, acompanhado pela princesa Tamina, de Alamut, interpretada por Gemma Arterton, bondgirl em 007 Quantum of Solace (2008).

Aos 29 anos, Gyllenhaal consegue dar vida ao personagem dos games com muita veracidade. Mas suou muito para isso. Seis meses antes de começar as filmagens, ele já estava treinando Parkour (técnica de superação de obstáculos com o uso apenas do corpo) para aguentar as estripulias de Dastan na maratona de cinco meses de trabalhos no longa. O ator conta que jogou o primeiro game, de 1989, e, durante as gravações, passou a se divertir com as versões mais novas. Quando via um malabarismo no game que não estava no filme, ele pedia ao diretor para incluí-lo.

Estilo ‘Piratas do Caribe’
As semelhanças entre Príncipe da Pérsia e Piratas do Caribe, ambos produzidos por Jerry Bruckheimer, são muitas. Cenas de ação com visuais fantásticos, por exemplo, é um deles. O trio de protagonistas também.

Em Piratas do Caribe, Orlando Bloom, como William Turner, fazia a vez do bom rapaz engraçadinho que se torna um fora da lei por acaso; Elizabeth Swann, interpretada por Keira Knightley, é uma mulher independente, de atitude e respondona; e Johnny Depp é a síntese do anti-herói: faz tudo por seus próprios interesses, sem escrúpulos, e, ainda assim, é adorado.

Se Gyllenhaal, no papel de Dastan, não tem o mesmo charme de Orlando Bloom, ele vence na desenvoltura com que atua nas cenas de ação. O mesmo não pode ser dito de Arterton no papel da intempestiva princesa Tamina. Linda mesmo perdida no deserto, com um corpo mais curvilíneo do que Keira Knightley, ela peca quando precisa correr ou lutar.

Na falta de um novo Johnny Depp – leia-se Jack Sparrow –, o produtor Jerry Bruckheimer encontrou em Alfred Molina o cara certo para interpretar o cômico sheik Amar, líder dos refugiados do Vale dos Escravos e grande admirador de corridas de avestruzes – sim, avestruzes. Ele demora para aparecer no filme, mas, quando o faz, rouba a cena.

A última e talvez mais importante semelhança é a possibilidade de uma nova mega-trilogia de Jerry Bruckheimer. O jogo no qual o filme foi inspirado é apenas o primeiro dos três capítulos. Durante a divulgação do filme, Jake Gyllenhaal já disse que se sentiria honrado em voltar a interpretar Dastan numa possível sequência.

Para se pensar num próximo filme, porém, é necessário, primeiro, um bom retorno das bilheterias. Com um orçamento estimado em torno de R$ 300 a R$ 400 milhões, o longa estreou nos Estados Unidos há duas semanas e faturou cerca de R$ 69 milhões. Ao redor do mundo, foram mais R$ 159 milhões. O primeiro Piratas do Caribe (A Maldição do Pérola Negra), por sua vez, faturou ao todo R$ 1,2 bilhões. Ou seja, o Príncipe da Pérsia tem um deserto a percorrer para se tornar mais uma trilogia épica.

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