Cineasta Rogério Sganzerla ganha mostra sobre sua vida

O cineasta Rogério Sganzerla ganha mostra de suas obras no espaço Itaú Cultural

Estadão

09 de junho de 2010 | 12h33

Rogério Sganzerla com Camila Pitanga (Foto: Marcos B/ Divulgação)

Rogério Sganzerla com Camila Pitanga (Foto: Marcos B/ Divulgação)

Adriana Del Ré

Há seis anos, o cineasta Rogério Sganzerla morria aos 57 anos, vítima de um tumor no cérebro, interrompendo uma vida cinematográfica plenamente ativa. Ele havia acabado de rodar O Signo do Caos, com Camila Pitanga no elenco, e tinha planos de ressuscitar o Bandido da Luz Vermelha, personagem da vida real que inspirou seu filme mais célebre, de 1968.

Após a perda do companheiro de longa data, a atriz e diretora Helena Ignez, hoje aos 68 anos, juntou forças para não deixar o legado do marido cair no esquecimento. Desde a morte de Sganzerla, ela lutava para criar um espaço que não só expusesse o acervo do cineasta, mas também fosse um centro de ideias e pesquisas. Agora, Helena começa a ver seu sonho tomar forma, com a mostra Ocupação Rogério Sganzerla, que abre a partir de hoje para visitação gratuita, no Itaú Cultural.

Com curadoria do cineasta e documentarista Joel Pizzini e cenografia de Valdy Lopes, a exposição recupera, organiza e leva a público um verdadeiro tesouro, com anotações manuscritas, cartões postais, cartas, roteiros completos e originais – datilografados e remarcados – fotos de família e de sets de filmagem, trechos de filmes extraídos de materiais brutos e objetos pessoais. Paralelamente, haverá um ciclo de filmes do homenageado e debates com Júlio Bressane, Roberto Turigliatto, Joel Pizzini, Antonio Urano e com a própria Helena Ignez.

Eterna musa de Sganzerla, a atriz, claro, acompanhou todo o processo de escolha do material . Em entrevista ao JT, do Rio de Janeiro, onde mora, ela se disse ansiosa em ver a Ocupação montada em São Paulo. “Foi emocionante ver técnicos tratarem estes materiais como devem ser tratados”, afirma, referindo-se ao período em que profissionais abriram o baú do cineasta, resgatando documentos e objetos que fariam parte da exposição no Itaú Cultural. “Cerca de 4 mil documentos foram digitalizados. Rogério escrevia muito a mão em cadernos e à máquina. Alguns filmes ganharam novas cópias”, completa.

Para Helena, este pode ser o passo decisivo para a posterior criação de um centro dedicado exclusivamente ao cineasta, provavelmente, sediado em São Paulo, onde o catarinense de nascimento fez a vida e a carreira. “Talvez, no centro da cidade, onde há muitas pessoas andando pelas ruas e podem se sentir atraídas para entrar”, destaca.

Parte integrante da série na qual já foram contempladas obras de nomes como Nelson Leirner, Zé Celso, Paulo Leminski e Chico Science, a Ocupação Rogério Sganzerla foi concebida a partir de três linhas matrizes: “Luz, abismo e caos”, explica o curador, Joel Pizzini. “Mas não necessariamente nesta ordem. A luz é do bandido e de outros projetos. O abismo remete ao conteúdo, do cinema sem limites, e o caos, ao momento da própria criação.”

Segundo Pizzini, vale apontar para características marcantes do cinema de Sganzerla, ágil e impregnado pelo universo da música, do HQ. “Ele não fazia um plano com mais de um minuto de duração. Costumava atribuir isso à sua prática como jornalista”. É que apesar de ser mais lembrado pelo legado no cinema brasileiro, Sganzerla trabalhou em grandes jornais, como O Estado de S. Paulo e o próprio Jornal da Tarde, ajudando a criar uma página dedicada ao cinema e para o qual fez a cobertura do Festival de Cannes, na França, em 1967. “Foi na volta do festival, a bordo de um navio, que ele viu no jornal a história do Bandido da Luz Vermelha e disse: ‘Meu filme já está por aí, na rua’”, lembra o curador, que colaborou na montagem do novo filme Luz nas Trevas, continuação de O Bandido da Luz Vermelha.

DIVIRTA-SE
Ocupação Rogério Sganzerla
De hoje a 18 de julho. De terça a sexta, das 9h às 20h; sábados, domingos e feriados, a partir das 11h.
Itaú Cultural (Av. Paulista, 149; Tel.: 2168-1776). Grátis

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