Carequinha e bom de briga

'O Último Mestre do Ar', produzido, roteirizado e dirigido por M. Night Shyamalan, que estreia nesta sexta (20) nos cinemas de todo o País, dá início a uma nova trilogia, baseada no desenho animado 'Avatar'

Estadão

20 de agosto de 2010 | 07h00


Trailer de ‘O Último Mestre do Ar’

PEDRO ANTUNES

A jornada de um menino que precisa aprender a controlar a magia e carrega a responsabilidade de salvar o mundo. A premissa pode soar sem criatividade – e de fato o é –, mas originalidade definitivamente não falta no longa em 3D ‘O Último Mestre do Ar’, produzido, roteirizado e dirigido por M. Night Shyamalan, que estreia hoje nos cinemas de todo o País.

Baseado no desenho Avatar: A Lenda de Aang’, o filme é uma rara adaptação de Hollywood que consegue ser fiel ao seu original, embora os efeitos 3D não empolguem. E quando se deve transformar traços animados em seres humanos, o chamado live-action, então, o cenário é desolador. Vide o sofrível Dragonball Evolution’, de 2009, baseado no anime e mangá Dragon Ball’, que sequer chegou às salas de cinema brasileiras.

Neste caso, porém, Shyamalan foi correto e manteve contato muito próximo aos dois criadores do desenho, Michael Dimartino e Bryan Konietzko, para qualquer dúvida sobre a mitologia da animação iniciada em 2005 e que teve seu fim em 2008. O que de fato se mostrou importantíssimo para o andamento e a continuação da história do garotinho de cabeça raspada chamado Aang.

A mitologia de Avatar – o desenho, e não o filme homônimo de James Cameron –, é até relativamente simples. O mundo é dividido em quatro grandes nações – fogo, ar, água e terra – e cada uma delas possui pessoas que conseguem manipular seu respectivo elemento. Um único ser, no entanto, tem o poder de controlar todos eles e ainda se comunicar com sábios espíritos que guiam a humanidade: este é o Avatar, que reencarna de geração em geração, mantendo o equilíbrio entre todas as forças.

Quando Aang, um controlador do ar, descobre ser o próximo Avatar – colocado diante de mil brinquedos, escolheu os mesmos quatro dos seus ascendentes – e, por conta disso, não teria mais uma vida normal, ele foge, se envolve dentro de uma esfera de gelo e hiberna por 100 anos.

Neste século, a Nação do Fogo cresce em território e ambição. Com tecnologia avançada, eles conseguem facilmente suprimir os adversários. Quando Aang é despertado pelo casal de irmãos Katara (Mae Whitman) e Sokka (Jack DeSena), descobre que toda a sua família foi morta pelos controladores de fogo, numa tentativa de exterminar o Avatar, tornando-se o único controlador do ar ainda vivo. O guri deve, então, treinar o domínio dos outros três elementos, a começar pela água, para conter o avanço dos controladores do fogo.

Em paralelo à saga de Aang, conhecemos a história do príncipe Zuko, interpretado por Dev Patel (protagonista de Quem Quer Ser Um Milionário’?), que consegue controlar as chamas e é filho do rei da Nação do Fogo. Zuko falhou com seu pai, ganhou dele uma queimadura no rosto e foi desertado. Para ser aceito de volta, precisa entregar o Avatar. Com essa missão, o destinos de protagonista e antagonista se cruzam por toda a trama.

Um dado interessante é que Noah Ringer e Patel são faixas-preta em tae-kwon-do mas, ainda assim, tiveram de treinar, junto com o elenco, o Wushu, uma arte marcial chinesa que incorpora diversos estilos de luta.
O Último Mestre do Ar’ é apenas a primeira parte de uma ambiciosa trilogia, assim como na animação, dividida em três temporadas. Em cada uma delas, Aang aprende a controlar um novo elemento: desta vez é a água; depois, virão a terra e, por fim, o fogo.

Shyamalan, é claro, deixa sua marca. O renomado diretor de O Sexto Sentido’, A Dama da Água’, A Vila’, Sinais’, e outros, nunca havia feito nada parecido e colocou mais beleza nas cenas de luta. Numa delas, por exemplo, com Aang e uma revolta de controladores de terra aprisionados, tudo foi filmado em apenas um take, com a câmera em movimento, rodeando os personagens. E pensar que ele conheceu a animação ao assisti-la com as filhas, em casa, e teve receio de fazer a adaptação. Disso ele pode ficar tranquilo. Suas filhas e os jovens fãs do monge de cabeça raspada vão gostar.

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