Branca de Neve é revisitada em ‘Espelho, Espelho Meu’

squeça os versos fofos de “eu vou, eu vou, para casa agora eu vou”, da musiquinha que os sete anões cantavam no clássico de Walt Disney, Branca de Neve e os Sete Anões (1937). Aliás, esqueça também a fofura e ingenuidade da própria Branca de Neve. A magia e o humor de outrora, no entanto, continuam presentes em Espelho, Espelho Meu, que estreia amanhã

Estadão

04 de abril de 2012 | 23h50

Por Felipe Branco Cruz

Esqueça os versos fofos de “eu vou, eu vou, para casa agora eu vou”, da musiquinha que os sete anões cantavam no clássico de Walt Disney, Branca de Neve e os Sete Anões (1937). Aliás, esqueça também a fofura e ingenuidade da própria Branca de Neve. A magia e o humor de outrora, no entanto, continuam presentes em Espelho, Espelho Meu, que estreia amanhã, produzido pelo estúdio independente Relativity Media. Feito sob medida para agradar a adultos e crianças do século 21, o longa atualiza o clássico conto dos irmãos Grimm, transformando Branca de Neve (interpretada por Lily Collins) numa mulher forte e guerreira e a Rainha Má (Julia Roberts) numa interesseira fútil.

Uma outra adaptação do conto também será lançada neste ano. Esta, porém, bem mais sombria. Trata-se de A Branca de Neve e o Caçador, com Kristen Stewart e Charlize Theron no elenco (leia mais abaixo).

Extravagante, super colorido e com uma bela fotografia, Espelho, Espelho Meu suprime da história o caçador. Na floresta, Branca de Neve tem de se proteger de um monstro. Os sete anões também ganharam novos nomes: Grim, Açougueiro, Lobo, Napoleão, Tampinha, Rango e Riso. Embora cada um deles carregue uma personalidade distinta, não têm semelhanças com os originais de Disney. No filme, eles tampouco são mineiros, mas ladrões, que usam pernas de pau retráteis.

Branca de Neve, interpretada por Lily Collins, filha do músico Phil Collins, se mostra uma mulher madura e corajosa. Ao encontrar os anões, ao invés de ficar fazendo comidinhas para eles, ela aprende a lutar com espada e lidera uma rebelião contra a madrasta. Numa cena hilária, o príncipe encantado Alcott (Armie Hammer, que interpretou os gêmeos Cameron e Tyler Winklevoss, em A Rede Social, de 2010) é enfeitiçado pela madrasta. Para o feitiço ser desfeito, Branca de Neve tem de beijá-lo, invertendo a história na qual é o príncipe quem beija a mocinha. Na história também há a clássica maçã envenenada. Mas a reação de Branca de Neve será completamente diferente da do conto dos irmãos Grimm.

A interpretação de Julia Roberts, por sua vez, apesar de bastante burocrática, agrada. A atriz não parece se esforçar para transformar-se na rainha má, mas um papel de vilã lhe caiu bem. É impossível, no entanto, sentir raiva dela. Pelo contrário, em alguns momentos é inevitável torcer por suas pequenas maldades, como quando ela transforma seu mordomo em uma barata asquerosa. O espelho mágico, claro, também está lá, porém bem mais moderno e cheio de efeitos especiais.

A direção de Tarsem Singh (mesmo diretor de A Cela – 2000, Imortais – 2011) segue o estilo que o caracterizou. Os cenários são absolutamente exagerados, repletos de efeitos especiais, como se os personagens vivessem num mundo fantástico de conto de fadas (o que de fato é verdade). Vale destacar o figurino, assinado por Eiko Ishioka, que já ganhou o Oscar de melhor figurino pelo filme Drácula de Bram Stoker (1992), dirigido por Francis Ford Coppola.

Mesmo com as evidentes diferenças entre o clássico de Disney e esta nova versão da história, a magia e o humor prevaleceram. E o filme, com certeza, irá agradar as crianças e encher de nostalgia os mais velhos.

 

Uma mistura de ‘Joana D’Arc’ com ‘Senhor dos Aneis’

Numa mistura de O Senhor Dos Anéis com Joana D’Arc, o longa Branca de Neve e o Caçador, com previsão de estreia para o segundo semestre, transformou o conto dos irmãos Grimm num sombrio e assustador filme de terror. O elenco conta com Kristen Stewart (a Bella, de Crepúsculo) como Branca de Neve e Charlize Theron (que ganhou o Oscar por Monster, em 2003) como a madrasta.

O enredo mostra a rainha má, madrasta de Branca de Neve, consultando seu espelho mágico para saber quem é a mais bonita. Quando o espelho conta que é Branca de Neve, a rainha manda o caçador matá-la, mas ele acaba se apaixonando por ela.

Dentre os belos cenários, destacam-se a floresta negra, repleta de bestas mitológicas que lembram os trolls do Senhor dos Anéis. Já o bosque onde vivem os anões, mais parece um cenário saído de um filme de Tim Burton. Numa outra cena, em que Branca de Neve vai à luta, sua indumentária nos remete à célebre batalha de Joana D’Arc, de Luc Besson.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.