Amor além da fé, no filme ‘O Pecado de Hadewijch’

Poético. É assim o filme O Pecado de Hadewijch, que acaba de estrear no País. Dirigido pelo francês Bruno Dumont, o filme conta a história de Hadewijch, uma noviça expulsa do convento por ter uma fé cega, que beira a insanidade

Estadão

18 de setembro de 2010 | 21h02

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Felipe Branco Cruz

Poético. É assim o filme O Pecado de Hadewijch, que acaba de estrear no País. Dirigido pelo francês Bruno Dumont, o filme conta a história de Hadewijch, uma noviça expulsa do convento por ter uma fé cega, que beira a insanidade. Quando é expulsa, a garota assume seu nome de batismo: Celine. Ela é filha de diplomatas e estudante de teologia. Na sua busca pelo amor de Deus, conhece dois muçulmanos que reforçam ainda mais sua fé sem limites.

No papel de Celine está a estreante Julie Sokolowski, 22 anos, que ganhou o papel após conversar com o diretor, Bruno Dumont. Antes de se aventurar no cinema, Julie trabalhava num restaurante e atualmente não pensa em seguir a carreira de atriz, apesar de ter sido elogiada pela crítica. Tanto é que o filme ganhou o Prêmio da Crítica Internacional no Festival de Toronto no ano passado.

No convento, Celine é Hadewijch. O nome não foi escolhido à toa. Hadewijch foi uma mística cristã do século 13 que dizia que seu amor por Deus estava acima de tudo. Um amor que transcende o religioso, quase um amor carnal. Celine é assim. Seu amor por Cristo é platônico e a faz sofrer, pois nunca o terá como homem ao seu lado. Nesse cenário, entram os personagens muçulmanos: os irmãos Yassine e Davod. Celine fica amiga deles tendo o fundamentalista religioso (cristão e muçulmano) como ponto de ligação. Na busca pelo intangível, os novos amigos embarcam numa jornada que pode levar a consequências drásticas. Enquanto Yassine é o mais religioso, Davod está interessado em namorar Celine. A garota chega a dizer para ele que ama apenas Jesus, é virgem e pretende continuar sendo. Tudo é mostrado de forma sutil, sem muitas explicações e focando nas excelentes atuações. Exemplo disso é a sequência em que Celine vai à igreja e presencia um ensaio do grupo musical. Trilha sonora, enquadramento e fotografia fazem da cena algo poético. Em outra cena, a personagem recita poemas escritos pela Hadewijch original, no século 13.

A tensão aumenta, até chegar a um ponto insuportável. A expulsão de Celine no início do longa dá o tom. Afinal, a madre superior só a expulsa por ficar chocada com a fé cega da moça. Apesar da temática religiosa, não há aparições divinas ou vozes do além. O que leva o espectador a crer que o único desfecho possível para a personagem seria a morte.

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