American Pie 4: Muito mais infame

Estadão

10 de maio de 2012 | 14h57

American Pie 4, que estreia hoje, volta a investir na fórmula que deu sucesso à série

Por Felipe Branco Cruz
De Los Angeles*

Há 13 anos, quando o filme American Pie foi lançado, o personagem Jim Levenstein (interpretado pelo ator Jason Biggs) era um cara sexualmente frustrado. “Mais de uma década depois, ele continua na mesma”, brinca Biggs, em entrevista exclusiva. Em clima de nostalgia, o quarto filme da franquia, American Pie: O Reencontro, estreia hoje ainda mais escatológico e engraçado do que antes. Desta vez, os cinco amigos Kevin Myers (Thomas Ian Nicholas), Paul Finch (Eddie Kaye Thomas), Chris ‘Oz’ Ostreicher (Chris Klein) e Steve Stifler (Seann William Scott), além de Jim, voltam a se encontrar para curtir a festa de reencontro da turma de 1999.

Além dos três filmes anteriores, lançados no cinema em 1999, 2001 e 2003, outros quatro também foram produzidos, mas sem a presença de todos os protagonistas, e lançados apenas em DVD. É por essa razão que o novo longa foi numerado como o quarto da série e não o oitavo.

Para o espectador que era adolescente na época em que o primeiro filme foi lançado, a sensação será a de encontrar velhos amigos. Treze anos depois, cada um seguiu seu rumo, com empregos banais, filhos, casamentos. Ninguém ficou famoso, tampouco se tornou bem-sucedido na profissão, assim como acontece com milhões de pessoas normais no mundo. Ao voltar a se ver em sua cidade natal, o quinteto percebe que o período da escola foi um dos mais incríveis que passou junto e vai fazer de tudo para relembrar os bons tempos, mesmo que todos eles já tenham passado da casa dos 30 anos.

Outros personagens, como o pai meio atrapalhado de Jim (Eugene Levy) e a mãe sensual de Stifler (Jennifer Coolidge), também estão presentes na trama. Além, é claro, das namoradas do colégio, como Michelle Flaherty (Alyson Hannigan), que está casada com Jim, Vicky (Tara Reid), ex-namorada de Kevin, e Heather (Mena Suvari), ex-namorada de Oz.

Torta de maçã
Como já é habitual em American Pie, nu frontal e escatologia permeiam toda a trama. “Queríamos recriar momentos que fossem tão humilhantes para Jim quanto foi no primeiro filme, em que seu pai o flagrou tendo relações sexuais com uma torta de maçã”, diz o diretor Jon Hurwitz.

Se na época da escola os inimigos eram os alunos mais velhos e a dificuldade maior era conseguir fazer sexo com as garotas, o problema dos personagens agora está em se adaptar às mudanças tecnológicas e às redes sociais. A impressão que fica é que os mais jovens se divertem mais. “Eles envelheceram”, constata o ator Thomas Ian Nicholas, que tinha 18 anos quando fez o primeiro filme e hoje está com 31. “Esse filme marcou a infância de muitos garotos, assim como Curtindo a Vida Adoidado marcou a minha”, completa o ator. “Não tive reunião da minha escola. Esse filme é como se fosse minha reunião”, diz a atriz Tara Reid.

Os diretores Jon Hurwitz e Hayden Schlossberg não são os mesmos do primeiro filme, mas afirmaram ser fãs da série. “Estávamos na faculdade quando ele foi lançado”, afirma Hayden. “Nosso maior desafio foi juntar vários personagens diferentes e dar a eles a mesma importância na trama”, complementa Jon. Apesar de ter escatologia e sexo, o filme não chega a ser vulgar. “O desafio foi saber até onde poderíamos ir, mesmo sabendo que o longa seria proibido para menores de 18 anos”, diz Hayden.

O sucesso da franquia foi tão grande (os três filmes juntos arrecadaram no mundo cerca de US$ 700 milhões) que praticamente nenhum dos atores teve outro papel de destaque no cinema. Com exceção, talvez, de Jason Biggs em Igual a Tudo na Vida (2003), dirigido por Woody Allen, e de Mena Suvari, que interpretou Angela Hayes em Beleza Americana (ganhador de cinco Oscar em 2000). “Não me arrependo de ter feito American Pie. Naquela época, tudo que eu queria era um trabalho e, depois do filme, fui fazer Beleza Americana”, diz ela.

Seann William Scott, que dá vida a Stiffler, também não se arrepende do papel, apesar de ter ficado marcado por ele. “(Martin) Scorsese me liga toda semana para fazer um filme com ele. Mas eu sempre nego dizendo: ‘Quero interpretar o Stiffler de novo’”, brinca o ator. E se depender do público e também dos atores, American Pie ainda poderá render novas continuações.

*O repórter viajou a convite da Universal

Entrevista: Jason Biggs

O diretor me disse que você insistiu para que tivesse um nu frontal seu. Por quê?
Ótimo! Vamos falar disso. Tenho um micropênis e, no filme, ele aparece atrás de uma tampa de vidro da panela. Ela funcionou como lente de aumento, então, parece que ele é imenso (risos). É uma piada engraçada, não é?

No filme, há piadas sobre você ser parecido com Adam Sandler. Você se acha parecido com ele?
As pessoas me veem na rua, franzem os olhos e dizem: “Você não é aquele ator famoso? Como é mesmo o nome? Adam Sandler?”. Meu nariz é igual ao dele. Quantas pessoas no mundo têm um nariz como esse? Só o Sandler (risos). Uma vez, fui ao Uruguai com um amigo. Estávamos num bar lotado e alguém roubou meu boné favorito. Fiquei muito nervoso e dei um escândalo. Depois umas meninas ficaram me apontando. Tenho certeza que elas diziam: “Esse Adam Sandler é mesmo um babaca”. Minha reputação ficou totalmente intacta.

Acha que seu personagem está mais maduro?
Concordo que tem muitas coisas em Jim que mudaram. Mas, na reunião da turma, os velhos hábitos voltam à tona. Jim está mais responsável, porém continua se metendo em situações ridículas.

Você teve um reencontro do colégio na vida real?
Estudei numa escola de Nova Jersey. Ainda tenho contato com todos meus amigos. Por isso, nunca tivemos uma festa como essa.

Você sofria bullying no colégio?
Não era terrível. Como a nossa turma era pequena, era algo que dava para controlar. Não me lembro de ter sofrido. Sou de uma época pré-YouTube. Acho que hoje o cyberbullying é muito pior.

Entrevista: Alyson Hannigan

Na vida real, você está grávida de seu segundo filho. No filme, você também tem um filho. A vida imitou a arte?
Sim,me casei, tive filhos. Vou levando minha vida. Planejei meu casamento e Michelle, não. Tenho uma filha que já vai fazer 3 anos. Acho que existe, sim, um paralelo. Mas, definitivamente, nossos personagens têm mais problemas do que nós na vida real (risos).

No primeiro filme, você perdeu a virgindade com seu primeiro amor. Foi assim na vida real?
Sim, foi com o meu namorado. Meu primeiro amor. Eu era adolescente.

E como vê a relação de sua personagem com o de Jason Biggs?
Sinto que minha personagem protege o casamento que tem com Jim. Eles vivem uma grande história de amor. Agora, o foco é o fato de eles serem pais de primeira viagem e têm de lidar com os problemas que surgem daí.

Vocês tiveram liberdade de improvisar?
Sim, mas não em todas as cenas. A experiência foi similar à do primeiro filme. Os diretores diziam para seguirmos nossos instintos.

Sua turma do colégio já promoveu uma festa de reunião?
Estudei numa escola pública da Califórnia. Na minha sala, havia mais de 40 alunos e,na mesma série, eram mais de 100. Eraimenso. O período da escola foi terrível. Foi um detestável período da minha vida. Eram tantas pessoas novas e rostos novos que você conhecia todos os dias. Me lembro de poucas pessoas daquela época.

Sofria bullying?
Sim, mas quando era criança. Fico imaginando como é obullying atualmente com essa tecnologia. As coisas são muito piores.

Entrevista: Jon Hurwitz e Hayden Schlossberg

Qual era a relação de vocês com a série American Pie?
Hayden – Estávamos na faculdade quando vimos o filme. Somos amigos de infância. Queríamos entrar no ramo da comédia e American Pie era um filme que conhecíamos bem.

Quem é o público-alvo do filme?
Jon – Todos os fãs de comédia. Há as pessoas que são fãs da franquia original. Mas vamos falar com a pessoas novas,de 18, 19, 21 anos, que não viram (os filmes) no cinema, mas em DVD. São também aqueles que gostaram de comédias como Se Beber Não Case ou Missão Madrinha de Casamento.

Foi difícil reunir todos os personagens num só filme?
Jon – Foi um desafio. Tínhamos de trazer eles de volta para as novas gerações. E esse roteiro só seria possível numa reunião para celebrar os tempos de colégio.

Apesar de o filme ser classificado para maiores de 18 anos (nos EUA), os personagens são bastante inocentes. Por quê?
Hayden – Os personagens são pessoas boas, apesar da escatologia que há no filme. Todos são bons, mas entram em situações embaraçosas. Há 13 anos, eles disseram ‘Eu te amo’ pela primeira vez. E agora tudo está de volta. Quem nunca amou alguém no passado, voltou a encontrar essa pessoa e o sentimento também voltou?

 

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