A volta do ‘Esquadrão Classe A’

Estreia nesta sexta-feira (11/06) o filme 'Esquadrão Classe A', remake da série de TV que fez sucesso na década de 70 e 80 e era exibido no Brasil no SBT

Estadão

10 de junho de 2010 | 20h41

Gilberto Amendola

É perigoso mexer com a memória emotiva das pessoas. De 1983 a 1987, o Esquadrão Classe A fez história na TV brasileira. Era um dos programas mais badalados da emissora do Silvio Santos – que na época chamava-se TVS (hoje, SBT). Seu prestígio só se equiparava ao de outra série, também transmitida pela TVS: a Supermáquina.

A história era bastante simples. Quatro ex-combatentes do Vietnã (Hannibal, Cara-De-Pau, B.A e Murdock), afastados injustamente do exército, começam a trabalhar por conta própria, concentrando-se em missões quase impossíveis. Quem passou um pouquinho dos 30 anos deve se lembrar com clareza do furgão (e do moicano) de B.A; do jeito de morder o charuto de Hannibal; dos xavecos do Cara-de-Pau, das maluquices de Murdock no comando de qualquer tipo de aeronave e, principalmente, do clima de camaradagem entre esses personagens. Pois bem… Demorou, mas aconteceu. Hollywood transformou o seriado em cinema. Esquadrão Classe A estreia hoje nas salas do País. Uma questão, porém, assombra antigos fãs: “Será que estragaram meu seriado favorito?” Já os mais novos se perguntam: “Será que é mesmo tudo isso que meu pai (ou tio) fala?”

Vamos com calma. Quando o filme começa, encontramos o Esquadrão Classe A metido no processo de retirada das forças americanas do Iraque. O elenco tem bons nomes. Hannibal é interpretado pelo excelente Liam Neeson, indicado ao Oscar pelo papel de Oskar Schindler, em A Lista de Schindler, de Steven Spielberg. O papel de Cara-de-Pau ficou com Bradley Cooper (de Se Beber, Não Case). Murdock é vivido pelo ainda menos conhecido – mas muito bom ator – Sharlto Copley, revelado em Distrito 9. E B.A… Bem, B. A Baracus era o personagem mais vivo na memória de quem viu o Esquadrão original. No seriado, era interpretado por Laurence Tureaud – mais conhecido como Mr. T –, que, antes de ser ator, foi segurança de estrelas de Hollywood. Mr. T foi tão bem que ganhou um papel em Rocky 3. Para viver B.A no cinema, os produtores escolheram um lutador de Vale Tudo, Quinton “Rampage” Jackson, que não é nenhum grande ator, mas é perfeito para fazer o mecânico durão. Assim como todo o elenco, ele segura com dignidade esse remake.

A história? De fato, trata-se de um fiapinho de história. Árabes (ou terroristas, ou agentes da CIA, ou soldados corruptos. Acredite, não importa muito…) estariam de olho em placas matrizes roubadas da casa da moeda americana. Em poder dessas placas, qualquer um poderia (no filme) produzir dólares legítimos, à vontade.

Com esse roteiro, o que se vê são cenas eletrizantes de ação, tiros e explosões, testosterona à flor da pele e piadinhas infames. E ainda tem a belíssima Jessica Biel como colírio. Esquadrão Classe A, obviamente, não é uma obra-prima. Mas é divertido, bom para assistir comendo pipoca e melhor ainda se ganhar versão em game. A dica é simples: relaxe e curta, sem preconceitos, chatices ou papo-cabeça.

Uma das frases mais conhecidas do seriado era algo como “não existe plano B”. No caso do filme, no entanto, os produtores já têm na manga um plano B, C e D. Como o próprio fim do longa deixa claro, a porta para uma sequência está aberta – escancarada, na verdade. Vida longa ao Esquadrão.

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