A Terra Prometida na telona

O festival de cinema é judeu, mas isso não significa que os filmes em exibição no 14º Festival de Cinema Judaico, que abre hoje, às 20h30, no clube Hebraica, obrigatoriamente sejam falados em hebraico ou sigam os Dez Mandamentos. Os filmes deste ano vêm de países da América do Norte, Europa e Brasil

Estadão

02 de agosto de 2010 | 07h00

Cena do filme

Cena do filme "Marcha da Vida" (Foto: Divulgação)

Felipe Branco Cruz

O festival de cinema é judeu, mas isso não significa que os filmes em exibição no 14º Festival de Cinema Judaico, que abre hoje, às 20h30, no clube Hebraica, obrigatoriamente sejam falados em hebraico ou sigam os Dez Mandamentos. Os filmes deste ano vêm de países da América do Norte, Europa e Brasil. Ao todo, são 30 longas e quatro curtas. A programação terá como foco a diversidade e o ecletismos de temas. Os filmes estarão em exibição na Hebraica, CineSesc, Cinemark Higienópolis, Centro da Cultura Judaica e Livraria Cultura. O festival vai até o próximo domingo (dia 8).

O destaque é o longa brasileiro Marcha da Vida, de Jessica Sanders e idealizado por Marcio Pitliuk, que será exibido somente hoje, às 20h30, para convidados, na Hebraica. O filme é um documentário em que Marcio acompanha um grupo de estudantes numa viagem a campos de concentração nazistas da Polônia e depois a uma viagem para Israel. A viagem, segundo o idealizador, foi feita para conscientizar os jovens e não deixar que o holocausto seja esquecido. “Os nazistas faziam os judeus marcharem até a morte. Esses jovens marcham pela vida. Daí o título do filme e da viagem”, explica Marcio.

No caso desse filme, é clara a ligação do tema com o judaísmo. Há outros títulos, no entanto, em que as associações são mais sutis. A curadora da mostra, Daniela Wasserstein, tenta definir o que é um filme judaico. “No festival, procuramos ampliar esse panorama. Não precisa ser um filme feito por judeus. Mas todos os longas trazem algum aspecto político ou cultural dos judeus”, diz Daniela.

Entre os destaques internacionais, estão o israelense Uma Questão de Tamanho, que fala de quatro amigos gordos que organizam um campeonato de sumô numa cidade de Israel; o francês A Garota do Trem, com Catherine Deneuve, sobre uma mulher que se diz vítima de um ataque semita; e o mexicano Cinco Dias Sem Nora, que conta a história de uma mulher que se matou mas deixou para a família a receita dos pratos judaicos matzá e gefilte fish.

Falando de Deus
O festival também tratará de um tema que interessa à maioria: Deus. No programa, filmes com a temática da fé também serão abordados, sem, no entanto, fazerem proselitismo. É o caso de Oh, Meu Deus, de Peter Rodger, um documentário no qual o diretor pergunta a líderes religiosos – cristãos, muçulmanos, judeus, budistas e hinduístas – o que é Deus. “Cada ano, o festival tem uma característica. Neste, teremos temas interessantes, como esse filme Oh Meu Deus”, diz Arthur Rotemberg, presidente da Hebraica. “O longa demonstra que o festival não é voltado apenas para a comunidade judaica”. Haverá, também, a mostra com filmes da República Tcheca. É o caso da série de quatro obras de 90 minutos cada, chamados de As Deportações Esquecidas, do cineasta Lucas Pribyl, que estará presente durante a exibição. Os filmes foram coproduzidos na Polônia, Bielo-Rússia, Lituânia, Estônia e na República Tcheca.

Temas juvenis também terão espaço nessa mostra, em dois filmes: Ei, Ei, É Esther Blueberger, que fala sobre uma garota cristã australiana rejeitada na escola, e Eli & Ben, sobre um filho que luta para tirar o pai da cadeia, preso injustamente.

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