A rotina de uma bucólica Auschwitz

Estadão

01 de junho de 2012 | 10h55

Por Felipe Branco Cruz

Auschwitz, uma pequena cidade no sul da Polônia, estará para sempre marcada na história da humanidade como um dos locais onde milhares de judeus foram mortos em campos de concentração pelos nazistas, durante a Segunda Guerra Mundial. Um dos principais campos da cidade ainda continua de pé, recebendo por ano milhares de turistas. Atualmente, a pacata cidade, que tem poucas empresas, vive do dinheiro deles. A relação entre os moradores e os visitantes é o ponto de partida para o longa À Espera de Turistas, que estreia hoje nos cinemas.

O título, produzido na Alemanha, é dirigido por Robert Thalheim, e conta a história de um estudante alemão que tem de escolher entre servir o exército ou prestar trabalhos voluntários por um ano. Ao escolher o voluntarismo, ele é mandado para Auschwitz, para cuidar do Museu do Holocausto e servir como motorista de um ex-prisioneiro do campo.

O jovem Sven Lehnert, interpretado por Alexander Fehling, tem consciência do passado sombrio de seu país e parece aceitar as humilhações que sofre dos poloneses como um justo preço que tem de pagar pelos erros de seus ancestrais. O longa, no entanto, mostra também que a maior empresa de Auschwitz foi comprada por um grupo alemão que está demitindo poloneses. Ao mesmo tempo, essa empresa ajuda a patrocinar o Museu do Holocausto e é a maior pagadora de impostos da cidade. Trata-se, portanto, de um longa que tenta mostrar como é difícil lidar com o passado.

Numa das cenas, o ex-prisioneiro Stanislaw Krzeminski, interpretado por Ryzard Ronczewski, mostra a um grupo de estudantes alemães, a tatuagem no braço com o número que recebeu no campo de concentração. Um deles diz: “quase não dá para ver” e Stanislaw, um senhor ranzinza, diz ironicamente: “nunca tive vontade de retocá-la”. Somos a todo tempo lembrados de que os nossos jovens estão desinteressados ou pouco sabem das atrocidades do passado. O longa consegue passar essa mensagem sem ser piegas ou chato, usando piadas de humor negro e ironias.

À Espera de Turistas usa como pano de fundo um passado trágico, um presente em meio à crise financeira e um futuro incerto. Mostra um povo tendo de lidar com seus fantasmas e aprendendo a se reintegrar com o mundo. Uma lição de vida aos jovens que devem, constantemente, ser lembrados do terror nazista para que ele nunca mais volte a se repetir.

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