A história de uma guerra fratricida

Estadão

09 de julho de 2011 | 10h18

Fernando Morais, Vicente Amorim e Tsuyoshi Ihara durante os debates

Fernando Morais, Vicente Amorim e Tsuyoshi Ihara durante os debates

Por Felipe Branco Cruz

O filme Corações Sujos, de Vicente Amorim, abriu na noite de anteontem o Paulínia Festival de Cinema de 2011. Os humoristas Leandro Hassum e Marcius Melhem foram os mestres-de-cerimônia. Numa espécie de stand-up comedy, os dois improvisaram piadas com os convidados e autoridades. O Theatro Municipal, com capacidade para 1,5 mil pessoas, estava lotado. Neste ano serão distribuídos R$ 800 mil em prêmios. O longa de Amorim, no entanto, por ter aberto o festival, não está concorrendo. Amorim também já dirigiu Um Homem Bom (2008), longa que tem como ator principal o americano Viggo Mortensen.

Corações Sujos conta a história de um grupo de imigrantes japoneses que após o término da Segunda Guerra Mundial foi morar em cidades como Oswaldo Cruz, Bastos e Presidente Prudente, interior de São Paulo. Apesar do fim do conflito, a lei que vigorava ainda segregava os japoneses, proibidos de se reunir, publicar jornais ou hastear a bandeira. Um grupo passou então a duvidar da rendição do Japão e da morte do imperador e criou o Shindô Remmei (Liga do Caminho dos Súditos), organização que matava japoneses que acreditavam na derrota do país na guerra. Estabeleceu-se um conflito fratricida que entre janeiro de 1946 e fevereiro de 1947 tirou a vida de 23 imigrantes.

A história, embora baseada em fatos reais narrados no livro de Fernando Morais, não é exatamente igual à obra literária. “Fizemos um recorte para mostrar apenas um pequeno núcleo de imigrantes em uma cidade, já que o livro mostra a organização como um todo no Brasil”, diz Amorim.

Mais do que contar esta verdadeira guerra no Brasil, o longa narra a história de amor entre o fotógrafo Takahashi e sua esposa Miyuki. A relação de ambos se deteriora a partir do momento em que ele decide se juntar ao grupo e se tornar um assassino. Com uma boa narrativa e cuidadosa fotografia, talvez o único ponto negativo do longa seja a trilha sonora excessivamente melodramática, assinada por Akihiko Matsumoto. Por vezes, a música fica mais em evidência do que as próprias cenas. “Não tenho vergonha de emocionar o público. Trata-se de uma história trágica que precisava dessa trilha”, justifica o diretor.

Boa parte da projeção é falada em japonês. “Não tivemos dificuldades em nos entender no set”, lembra o ator Tsuyoshi Ihara, que interpreta Takahashi. Para a pré-estreia vieram Tsuyoshi Ihara, Takako Tokiwa (Miyuki), além de outros atores japoneses. Muitos já atuaram em filmes de Hollywood. Tsuyoshi, por exemplo, trabalhou em Cartas de Iwo Jima (2006), de Clint Eastwood. Segundo os organizadores, foram inscritos 394 títulos, mas somente 27 foram selecionados para concorrer ao prêmio, sendo 12 longas e 15 curtas. Até a próxima quinta-feira (14) serão exibidos por dia um documentário, um curta regional, um curta nacional e um longa-metragem.

Rita Lee aquece a noite gelada
Depois da abertura, Rita Lee subiu ao palco anteontem para abrir o Paulínia Fest. Ontem foi a vez de Caetano Veloso e Seu Jorge. Hoje, Gilberto Gil e Vanessa da Mata encerram o festival de música. Sob medida para agradar ao público, a apresentação de Rita Lee teve clássicos como Saúde, Agora Só Falta Você, Ti-Ti-Ti, Desculpe o Auê, Banho de Espuma, Doce Vampiro, Ovelha Negra e Lança Perfume. “Vamos dançar e nos esquentar nesta noite fria”, convocou ela. A temperatura chegou à mínima de 7C.

O repórter viajou a convite da organização do festival.

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