Voz bonita e show bem montando. Faltou emoção

Cristiane Bomfim

21 de setembro de 2011 | 17h23

Por Cristiane Bomfim

É injusto dizer que Paula Fernandes não tem um vozeirão. A cantora que já vendeu mas de 1,2 milhão de cópias de seu último trabalho impressiona no palco pelo fato de não precisar fazer esforço – nem gritar – para cantar bem. A beleza também é inegável. Mas, depois de ver a performance dela no palco da Villa Country na última quinta-feira (15) ficou uma pergunta. A beleza, o voz forte e já inconfundível e uma boa equipe dando suporte são garantias de um sucesso duradouro?

Faltou naturalidade e talvez carisma. Paula Fernandes correu de um lado para o outro do palco, dançou e rodou sua saia curtíssima, mas não convenceu. Parecia esforço demais. O público tentou, cantou as músicas mais famosas, mas também estava apático. “Parece que eu estou na frente da TV assistindo um DVD dela”, contou a dona de casa Marilice Gomes de Bastos, de 42 anos. Ela achou que fosse ser mais animado.

Decepcionou também o fato de o violão, que a cantora carrega para cima e para baixo estar desligado e servir apenas de acessório no show. Da primeira fila dava para ouvir suas unhas se arrastando sem nenhuma coerência pelas cordas. Paula Fernandes também trocou muitas roupas. Por duas vezes deixou o palco para voltar com um novo modelito. Na ausência dela, o público teve que se contentar com a banda, que – é justo dizer – manda muito bem. “Mas por que ela troca tanto de roupa? A gente já sabe que ela é gostosa”, questionou o estudante Otávio Macedo, de 20 anos.

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A casa de shows estava lotada. Teve quem pagou R$ 120 pelos últimos ingressos. O costumeiro público fã de sertanejo universitário teve de dividir espaço com casais, mulheres e homens mais velhos. Isso também pode ter pesado no resultado final do show.

Ainda no camarim, a cantora disse ao JT também ser jovem e não ter medo dessa mistura. “É muito bom saber que agrado de zero a cem anos. Vai ser uma oportunidade deles conhecerem melhor o meu trabalho, sentir a minha energia. Embora eu não seja uma cantora de sertanejo universitário, meu show é dançante, é vibrante, a galera participa”, disse. Entre músicas lentas e as animadas, dá para dizer que a escolha do repertório é muito bem feita.

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