Uma roqueira na balada sertaneja

Cristiane Bomfim

22 de agosto de 2011 | 19h13

Por Cristiane Bomfim

Minha amiga gosta de rock, pop e outras coisas. Sempre fez questão de espalhar em alto e bom som que sertanejo não é música que preste. Até a última quinta-feira, quando decidiu deixar de lado todas as teorias que tinha sobre o universo sertanejo e “experimentar algo diferente”, como prefere dizer.

“Amiga, você vai a alguma balada sertaneja hoje?”, me perguntou. Respondi que sim e fomos ao Villa Country, na zona oeste de São Paulo. A dupla Hugo e Tiago era atração principal da noite. Eles subiram no palco pouco depois da 1h e impressionaram minha amiga e o público que ainda não tinha certeza de que o show seria bom. Tanto que a apresentação aconteceu no saloon e não na área dedicada à grandes shows.

“Mesmo com alguns probleminhas técnicos nos divertimos”, disse a dupla no Twitter no dia seguinte. Minha amiga também se divertiu muito. O motivo principal é que ao contrário dos lugares que ela costuma frequentar, na balada sertaneja as pessoas estão mais dispostas a tudo: a conversar, paquerar, beber até cair e brigar.

“Esse povo de bota e chapéu é meio dado ou é impressão minha?”, disse a roqueira. Não é impressão. Uns estão ali por causa da música. Outros porque virou moda. E muitos por conta da fama de que “só volta sozinho para casa quem quer”.

Ainda no camarim, a dupla esbanjou simpatia. Beijinhos aqui, abraços ali. Os cantores que participaram – há sete anos – do programa Fama, da Rede Globo, não recusaram fotos, não fizeram cara feia. Contaram piadas, gargalharam, ofereceram bolo aos jornalistas e arriscaram até cantadas. “Tudo com o maior respeito”, garantiu Tiago depois de me perguntar se eu toparia casar com ele. “Brincar faz parte”, consertou depois da negativa.

No palco, os dois abusaram do charme da bota e da calça apertada. Dançaram com fãs, pegaram nas mãos e fizeram pose para fotos. Na plateia, a pegação era quase geral. “Só não beija quem não quer”, disse uma moça que estava apoiada no balcão do bar. Minha amiga concordou. Fez novos amigos e ‘esquemas’ que duravam o tempo de uma música. Ou duas. Depois dava uma volta e fazia outros amigos e outros ‘esquemas’.

A roqueira se entregou ao bailão, arriscou alguns passos abraçada em um rapaz. Aprendeu um refrão fácil, do tipo Michel Teló: “Delícia, delícia. Assim você me mata” e esqueceu a hora de ir embora. De repente já passava das 6h a cabeça doía.

“Nunca mais volto aqui”, reclamou na saída. Dois dias depois, meu telefone tocou: “Vamos em uma balada sertaneja. Decorei umas músicas”.

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