Tonico e Tinoco, meu avô e a minha memória afetiva

Cristiane Bomfim

05 de maio de 2012 | 02h04

Por Cristiane Bomfim

Morreu na madrugada de ontem, 4, o cantor Tinoco que até 1994 formava, com seu irmão Tonico,  uma das maiores duplas caipiras do País. 1994 foi o ano em que Tonico morreu.

Apesar de – reconhecidamente – ser um dos maiores artistas brasileiros, Tinoco morreu em um hospital público da zona leste. Sua morte não teve a repercussão normalmente dada às fofocas sobre artistas globais. As notícias e as lamentações foram modestas, como ele sempre foi.

Eu cresci ouvindo Moreninha Linda, um dos maires sucessos da dupla. Meu avô Alfredo costumava cantar enquanto passava os comerciais na televisão. Ele sempre foi fã de Tonico e Tinoco e ouvia as músicas num radinho a pilha enquanto trabalha no quintal.

Meu avô e a dupla Tonico e Tinoco têm grande responsabilidade pelo fato de eu gostar de música sertaneja. Porque, para mim, o gosto por determinado estilo ou canção tem muito a ver com memória afetiva. Ouvir essas músicas me lembram tempos bons.

E tempos bons não merecem ser esquecidos. Não podem ser esquecidos. Assim como a dupla Tonico e Tinoco não pode ser esquecida. Eles fazem parte da nossa cultura, são responsáveis pela popularização da música caipira e depois deles vieram todas as duplas que hoje fazem sucesso.

Ninguém é obrigado a gostar de música sertaneja, mas não conhecer a dupla Tonico e Tinoco é algo grave, quase alienação.

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