Locutor de Barretos tem favoritos para edição deste ano

Cristiane Bomfim

18 de agosto de 2011 | 18h41

Por Cristiane Bomfim

Cuiabano Lima, o locutor do Rodeio de Barretos desde 1994, nasceu Andraus Araujo de Lima. Filho de um pecuarista e de uma funcionária pública sempre gostou de festa de peão e de provas de montaria, mas teve que fazer faculdade de direito para então fazer o que sempre quis: narrar provas de rodeio e animar o público. “Eu sempre gostei dessa coisa de fazenda, mas não podia deixar de estudar”.

Deu um jeito de fazer versos nas rádios de Barretos, no interior de São Paulo, participou de concursos em que os prêmios eram sacos de feijão e de café. “Mas eu não queria o prêmio, queria minha voz na rádio”.

Em 1992, teve a primeira chance de entrar ao vivo na Rádio Rodeio, também em Barretos. Passou a dividir o tempo entre o trabalho burocrático no cartório, a faculdade de direito e viagens por cidades pequenas do estado em busca de um microfone. Ele pedia para narrar. Hoje, com 35 anos, é um dos principais nomes do país. Por ano, participa de cerca de 30 rodeios, além de eventos como o Sertanejo Pop Festival.

O trabalho de locutor toma 120 dias do ano. “Em média, cada rodeio tem quatro dias”, explica. Atua, principalmente, nos estados do centro-oeste. Conta que só em 2004, quando finalmente largou o trabalho no cartório, conseguiu definir seu estilo. “O exercício faz a gente criar o estilo. Com o tempo, a gente vai aprendendo como trabalhar o timbre da voz. Me rotulei mesmo como Cuiabano Lima depois de 12 anos.”

“Meu diferencial é que a minha voz não é parecida com a de nenhum locutor de rodeio. Eu narro como se tivesse falando, por isso que as pessoas entendem bem o que eu digo. Não é aquela coisa cantada. É mais firme”, explica o nem tão modesto Cuiabano, que teve como referência o locutor Waldemar Ruy dos Santos, o Asa Branca.

No rodeio, garante que sempre torce pelo peão e por uma montaria bonita. O motivo parece óbvio para ele. “A gente tem que torcer pelo competidor porque a força do boi é desproporcional comparando com o peão. Torço pelo lado mais frágil se dar bem. A inteligência e a técnica não livram o peão do perigo”, justifica. Tem até sua aposta para a competição deste ano: Tiago Diogo Farias, campeão da montaria de touros em Barretos no ano passado e Juarez Terra. “Para mim, ele é o favorito”.

A mãe de Cuiabano reprova o trabalho. “Ela não gosta de rodeio e acha perigoso eu ficar na arena perto do boi e do peão. Não gosta que eu fique tanto tempo viajando e longe de casa. Acha que eu deveria ter seguido a vida de advogado”, conta. O pai do locutor já reprovou a escolha, mas hoje leva na boa. “Porque ele está vendo que eu estou ganhando um dinheirinho”, brinca o artista das festas de peão que para animar a galera faz passinho e balança os braços de um lado para o outro na altura dos ombros.

Para quem for assistir a edição deste ano do rodeio mais famoso do Brasil, Cuiabano sugere não perder a Queima do Alho, tradição da culinária típica das comitivas de peões de boiadeiro. No cardápio estão pratos como arroz carreteiro, feijão gordo, churrasco e paçoca de carne.

Também não tem a menor graça ir para Barretos e não assistir a uma prova de montaria em touros e aos shows que acontecem em seguida. “Sábados são sempre melhores dias porque a festa vai até o dia clarear”, conta. Mas Cuiabano lembra que dia 28 (último dia da festa de peão) é também a grande final. “É imperdível”, diz.

Principais atrações:

18/08 – Paula Fernandes e Eduardo Costa
19/08 – Bruno e Marrone, Aviões do Forró e Unidos da Tijuca
20/08 – Chitãozinho e Xororó, João Bosco e Vinícius e Orquestra com regência do maestro João Carlos Martins
21/08 – Ivete Sangalo
25/08 – Milionário e José Rico, João Carreiro e Capataz e Léo Magalhães
26/08 – Luan Santana e Fernando e Sorocaba
27/08 – Gusttavo Lima e Jorge e Mateus

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