Entrevista: ‘Quero ser um ídolo’, diz Juninho Bessa

Cristiane Bomfim

26 de junho de 2012 | 15h12

Por Cristiane Bomfim

Divulgação / Léo Faria

Juninho Bessa quer ser um ídolo. Para chegar lá, o jovem cantor de Campina Verde, em Minas Gerais, decidiu traçar um caminho diferente do escolhido pela maioria dos novos nomes da música sertaneja. Não investiu pesado na divulgação de uma música ou em shows escandalosamente grandes e campanhas publicitárias para estar em evidência. Preferiu apostar na imagem. Não necessariamente a roupa ou o corte de cabelo, mas sim na forma com que trata a carreira – de pertinho – e na mania que tem de querer cuidar pessoalmente da relação com contratantes, fãs e imprensa.

“Eu quero que as pessoas tenham uma imagem minha criada por mim e não pelos meus assessores, produtores e empresário. Quero que elas me conheçam de verdade e isso não tem preço”, explica o músico.

O mineirinho, que está divulgando as músicas CB 600 e Nheco Nheco, ambas do seu primeiro DVD e segundo CD solo chamado Sol, começou a carreira cedo. De 2002 a 2008 fez parte de um grupo de forró chamado Balakubaku. Teve que dividir o tempo entre a faculdade de direito, os shows e a gravação de dois álbuns. “Cheguei até a trancar a faculdade para viajar com o conjunto em 2004 e gravar o primeiro CD no Paraná”, lembra. Mas voltou para a faculdade em 2005 e pegou o diploma de bacharel em Direito em 2007. Fez o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e passou. Depois, trocou o forró pelo sertanejo e abandonou a advocacia para a decepção dos avós:

“No começo foi muito difícil. Minha avó ficou muito magoada e decepcionada comigo. Meus avós pagaram a minha faculdade e o sonho da minha vó era que eu fosse um grande jurista. Meus pais também queriam isso e ficaram assustados com a minha decisão. No primeiro momento houve aquela dúvida de se daria certo ou não”, diz Juninho.

Mas por que deixar de lado o direito?
Eu costumo dizer que toda história de sucesso requer uma grande deixada de lado. No meu caso, os estudos ficaram de lado, embora eu ainda seja um cara bem estudioso. E eu só tive consciência de que iria largar o direito quando não dava mais para acordar, para fazer audiência, para trabalhar. Porque eu colocava o terno e ficava morrendo de sono, pescando porque tinha feito um show na noite anterior, sabe? E não era isso que eu queria para minha vida. Eu tenho a consciência de que se um dia eu precisar, humildemente posso voltar para a profissão. Só que não iria ser cantor sertanejo se começasse com 40 anos. A minha chance era aquela, resolvi cuidar da minha carreira solo. Deixei a banda de forró que me deu toda a formação necessária para ser cantor.

E por que trocar o forró universitário pelo sertanejo?
O Balakubaku surgiu em 2002 no auge do Falamansa. E naquele tempo o forró universitário era uma delícia, nós éramos adolescentes e queríamos fazer um grupo cover deles. Começamos na igreja e deu muito certo. Mas o forró não tem mais espaço no mercado e como eu sou apaixonado, mineiro, caipira, roceiro e sempre tive sonho de cantar música sertaneja, decidi investir na carreira solo cantando sertanejo.

Mas e se o forró estivesse em evidência ainda hoje?
Era um sonho cantar sertanejo. Cresci ouvindo sertanejo. Bruno e Marrone e Chitãozinho e Xororó são meus ídolos. Eu estou realizando um sonho.

Juninho se define como sistemático e muito organizado. Planeja detalhe por detalhe o caminho por sucesso. A viagem para a Disney, na Flórida, no domingo, 1º, para acompanhar um grupo de jovens em férias faz parte do plano. Esta será a quinta vez que ele voa para o complexo de parques mais famoso do mundo. E é fazendo pockets shows para estes turistas que ele conquista novos (em idade, inclusive) fãs.

A primeira vez foi em 2008, quando ainda fazia faculdade de Direito. “Fui convidado por uma agência de viagens para ser um guia turístico. Eles queriam alguém que fosse cantor”, conta. Em seguida, foi chamado para acompanhar adolescentes nas viagens para Porto Seguro, na Bahia. O esquema é o mesmo: ser guia e cantor.

“Os adolescentes que foram para a Disney comigo em 2008 já são universitárias e não deixaram de gostar de mim. Eles viajaram sem me conhecer e voltaram meus fãs. Eu preparei o terreno e quando chego em qualquer cidade para fazer um show encontro várias pessoas que já me conhecem”, explica.

Ele conta que em cinco anos já viajou com 15 mil adolescentes de 14 a 18 anos que abastecem de divulgam seu trabalho em redes sociais: são três páginas no Facebook, 14 Orkuts, 1 Fanpage e 1 Twitter. “As notícias correm muito rápido”.

1º DVD ao Vivo

Sol, que dá nome ao 1º DVD ao Vivo de Juninho Bessa foi gravado em 21 de março de 2011 na casa de espetáculos Center Convention, em Uberlândia, Minas Gerais. O cantor ficou em um pequeno palco montado no centro da casa. A banda ocupou uma outra área, mais ao lado. São 19 faixas, sendo uma bônus. E é claro que não poderia faltar o tal do arrocha.

“O DVD foi gravado no dia do meu aniversário, quando completei 28 anos. Ele foi feito com tecnologia HD e eu tive o apoio da (transmissora) Globo local. Eu apostei no arrocha quando todo mundo ainda dizia que era brega”, afirma.

Mas como você define o arrocha?
O arrocha é um estilo paraense, que existe há muitos anos e que chegou em Minas Gerais e São Paulo porque tem aquela coisa da levada gostosa. Como eu traduzi para o inglês o DVD eu tive muita dificuldade para definir o arrocha e cheguei no ‘abraço apertado’. Arrocha é dançar coladinho. Antes era considerado brega e hoje você vai no show do Gusttavo Lima, Jorge e Mateus ou qualquer outra dupla e só tem isso. Sinto orgulho de ter apostado no arrocha e ele ter dado tão certo.

Aliás, a música Vou dar um nó em você que está sendo cantada por Thaeme e Thiago é um arrocha de composição de Juninho Bessa. “Mesmo comprometendo minha autonomia e soberania eu liberei a música para o escritório do Fernando e Sorocaba, para que a dupla Thaeme e Thiago gravasse. Mas Vou dar um nó em você também é minha música de trabalho”, conta.

Confira o resto da entrevista:

Quando você entendeu que era importante que você mesmo cuidasse da sua imagem?
Eu convivo muito com artistas famosos. E existem assessorias insuportáveis de chatas. Eu acredito que a carreira não é eterna. Um dia tudo vai acabar. Por isso eu tenho que ter uma equipe que seja o reflexo do meu comportamento. Hoje eu já não consigo mais fechar shows, mas fiz isso até um ano atrás. Eu conheço todos os meus contratantes e quando eles querem falar comigo, ligam direto Não precisam passar pelo produtor ou empresário. E é isso que alimenta retornos de shows. O artista vive da volta e não da ida. Você me contrata para primeiro show, mas depois me acha antipático, chato e frio. Aí você não me chama mais. E na minha ida eu tenho que ser cativante, o show tem que ser inesquecível.

Mas não é difícil controlar tudo tão de perto?
Eu sei que vai chegar uma hora que eu não vou conseguir fazer tudo sozinho. Minha vida é louca. Eu falo pelo menos oito horas por dia no telefone com gente do Brasil inteiro. Mas eu sou tão orgulhoso disso porque amanhã é essa base que fará toda a diferença. Ninguém vai poder dizer que eu faço sucesso porque eu dei sorte. Não, eu vou fazer sucesso porque me preparei muito.

Quanto tempo falta para o sucesso chegar?
Sabe quando você deita no travesseiro e sente que está tudo muito perto? Estou no topo do muro. Eu sou sistemático, programo tudo de forma correta. O momento é agora e vai acontecer muito em breve. Está muito real, mas ao mesmo tempo pode não ser isso. Tento ter fé e entender que o tempo de Deus não é o meu tempo. Faz 12 anos que eu estou esperando, acredito que o que está guardado pra mim vai acontecer. E quando acontecer vai vir rasgando, não vai ser mais ou menos…

Você se considera famoso?
Não me considero famoso, mas estou preparado para isso. Sei que não posso deixar de ter um sorriso estampado no rosto. Ninguém tem nada a ver com meus problemas. Ser educado marca a vida das pessoas. Acho que tenho atender todos muito bem, independentemente de ser artista. Quando eu tinha 17 anos adorava pegar as menininhas, mas eu cresci e não sou cantor para poder comprar carro importado e pegar mulher. Sou cantor porque eu amo cantar e quero poder viver dessa arte.

Falando em mulheres…
Sou extremamente discreto e reservado, meus rolos são meus rolos. Não cabe a mais ninguém ter conhecimento. Como quieto mesmo. Se a namoradinha está em São Paulo, não tem bafafá, ninguém vai saber. Eu sempre fui assim. E vou dar muito trabalho porque adoro conversar com todo mundo, atender todo mundo, tirar fotos. Eu gosto disso, amo contato com as pessoas e receber carinho. As pessoas sentem que é verdadeiro.

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