Eduardo Costa fala sobre CD Pecado de Amor: ‘É um CD quase 100% aproveitável’

Cristiane Bomfim

22 Julho 2012 | 19h05

POR CRISTIANE BOMFIM
cristiane.bomfim@estadao.com

Anjo protetor será a segunda música de trabalho do CD Pecado de Amor, do cantor Eduardo Costa. O álbum foi lançado em 22 de junho em todo o País. A canção Anjo Protetor foi composta pelo próprio Eduardo Costa em parceria com César Augusto e A. Cabrera. “É a minha música favorita”, confessou ele ao Jornal da Tarde durante uma entrevista.

O sertanejo encaixa ainda o bolero Sem ela ao meu lado na pequena lista de prediletas e afirma que a Pecado de Amor, escrita Nando, Guto e Jonathan Félix e que dá nome ao CD, deverá ser a terceira a ser tocada nas rádios. É o CD mais romântico do artista que, com pouca modéstia, mas muito bom humor afirmou que o CD tem “quase 100% de aproveitamento” e emendou em gargalhadas resposta para a óbvia pergunta feita pela reportagem: “O que não é aproveitável?”. “Ah, acho que é a capa!”

Na capa de Pecado de Amor, a camisa branca e aberta do cantor deixa à mostra um corpo malhado e bronzeado. A divulgação da imagem pela assessoria de imprensa de Eduardo Costa nos dias que antecederam o lançamento do álbum gerou uma série de discussões. Alguns elogiaram. Os que criticaram usavam argumentos como “brega” e “exibido”. Mas a verdade é que o sertanejo não está nem um pouco preocupado com isso.

“A capa não é pesada. Eu posto fotos mais pesadas na rede (especialmente no aplicativo para celulares Instagram) e nunca teve tanta polêmica. Acho que essa capa agrada a mulherada e é o meu momento”, assumiu. Confira abaixo a entrevista completa:

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Qual sua música preferida?
Acho que é Anjo protetor. Ela começou com uma frase que eu criei antes de a música existir e eu postava muito ela no Twitter. Ela é assim: “Eu fujo dos amigos e tento me esconder. Gosto deles, mas amo você”. E aí essa frase acabou virando a música. Ela ficou com um ritmo gostoso, meio latino. Virou uma música sertaneja com um clima cigano. Bem a minha cara, entendeu? E a maioria das pessoas que ouviu o CD se identificou com a música e ela virou minha favorita. Mas a que eu mais gosto na verdade é a música Sem ela ao meu lado, que é um bolero. E modéstia parte é um CD com 100% de aproveitamento, mas é claro que algumas músicas se destacam.

Quando você diz que é quase 100% de aproveitamento, o que não se aproveita dele?
Ah, eu acho que é a capa (gargalha).

Ah, é? Essa capa, com você exibindo seu corpo malhado com uma camisa aberta causou polêmica?
Ah, rolou né? Tem muita gente que é contra. Mas acho que este CD veio para quebrar esse paradigma porque foto é uma coisa pessoal. Rolam uns comentários negativos e não críticas construtivas. Mesmo porque a capa não é pesada. Eu posto fotos mais pesadas na rede e nunca teve tanta polêmica. Mas eu acho que essa capa agrada a mulherada e é o meu momento. Eu estou nesse momento de estar de bem com o corpo, com a alma e coma vida. A capa é o que o Eduardo Costa é hoje.

Você acha que está exagerando um pouco?
Eu acho que não. Até porque hoje eu moro na roça e fico muito tempo no meio do mato. Aqui está um calor que você não faz ideia e é impossível colocar a roupa aqui. E também tem a coisa de estar bem com o corpo. Aí eu levei esse momento para a capa do disco. E o resultado foi bom e muitas pessoas gostaram. Quem criticou não gosta de mim e de música sertaneja. A capa é a minha cara. Tem tudo a ver com essa coisa romântica, latina, aquele samba mais sensual que é o CD.

Você escolheu uma regravação para divulgar o trabalho. Por quê?
Eu não considero Começar de novo uma regravação porque ela não fez sucesso com os artistas que gravaram. Ela foi gravada por uma dupla de Belo Horizonte chamada Beto e Thiago, mas ela não fez sucesso. Não teve ascensão. Então, para mim, é uma música inédita.

‘Pecado de Amor’, que também é uma regravação, recebeu uma nova roupagem. Como foi isso?
Eu não gravo pensando em cantar melhor que outro artista, mesmo porque eu nunca tinha ouvido Pecado de amor na voz de outro cantor. Eu tinha ouvido só com a Fatima Leão (que também gravou a música). Eu não gravei pensando em comércio e dinheiro. Eu gravei porque me identifiquei demais com ela. E eu sabia que eu ia passar uma mensagem bacana para o meu público. E depois que eu gravei descobri que três artistas já tinham gravado ela. Mas nunca foi pensando em gravar melhor que um ou que outro. Mas ficou boa, né?

Como foi a escolha desse repertório?
Este CD está mais romântico, mais meloso. Tem algumas músicas agitadas também. Quando eu componho, eu componho sem nenhum tipo de vaidade. Não imagino que a música vai virar sucesso. Às vezes faço músicas engraçadas, como a Presente de aniversário (composta em parceria com César Augusto). Ela é bem engraçada e mais puxada para o lado mais irônico. Eu podia dar para o meu amigo qualquer presente, mas dei uma ‘quenga’. Eu optei por um CD romântico, mas para não ficar muito meloso e chato de ouvir, coloquei quatro músicas mais agitadas. Faço as músicas que falam direto no coração de pessoas, porque é uma verdade minha e aí eu acabo transmitindo isso para as pessoas.

Você tem algum compositor favorito?
Os meus compositores favoritos são o César Augusto e a Fátima Leão. São os que eu mais gosto. Quando eu ouço uma música deles é diferente. Se o César me mostrar 10 músicas eu vou querer gravar as 10. Porque são todas boas. Ele não faz nada mais ou menos. Então, eu tenho que ficar muito esperto com isso senão acabo gravando um monte de músicas do mesmo compositor.

O CD só quatro músicas são suas. Mas você já tinha dito ao JT que a regra é que pelo menos metade das músicas sejam suas…
Eu até tinha mais músicas minhas, mas foram chegando tantas músicas boas, que aí eu parei para pensar: vale a pena colocar uma música minha e deixar de colocar uma música linda e maravilhosa de outro compositor? Isso pesa. Porque o interesse é que o CD fique bom e as pessoas gostem. Aí eu mudo de ideia. O planejamento era que tivesse pelo menos sete músicas minhas. Mas foram chegando músicas boas de outros compositores e acabei tirando as minhas.

Então não foi por dificuldade para compor?
Não. Não foi. A intenção é jogar a favor do CD e não do compositor Eduardo Costa. Se a minha música for melhor que a da Fátima (Leão), ela vai entrar. Mas se a da Fátima for melhor que a minha, eu prefiro colocar a dela, entendeu?

E que horas você compõe?
Normalmente eu componho durante a madrugada. Mas tem exceções. Eu quero te dizer que sim, que é uma música muito romântica e fala de casamento, de respeito e de um casal que vai ser feliz para sempre, eu escrevi às 14h. Acordei e fiz. Mas normalmente, faço de madrugada, que é quando eu estou mais inspirado e sensível. E tem menos pessoas falando comigo. A madrugada ajuda o compositor por uma série de motivos: a noite é inspiradora, o som do violão fica mais bonito e tem menos gente falando com você.

Em quem você pensou quando estava escrevendo Eu quero te dizer que sim?
Eu não compus pensando em ninguém. Eu resolvi ver um filme mais romântico e eu achei bonita aquela história de um casal que não se encontrava nunca. O filme era a Casa do lago. E eu para te falar a verdade, não sou adepto de filme romântico. E eu não faço nada direcionado para alguém.

O CD tem a participação de Alexandre Pires na faixa Presente de aniversário. Você costuma ouvir samba e pagode?
Eu sou um cara totalmente influenciado pelo samba , principalmente o raiz, o samba de roda como eles chamam. E eu levo isso para o meu trabalho. Não é o primeiro samba que eu gravo. Cachaceiro é um samba, só que eu coloquei sanfona. Já essa música Presente de aniversário é um samba mesmo.

Como está a agenda de shows?
No fim do ano eu e o Leonardo vamos gravar um DVD em um cabaré. Ainda não definimos a cidade e nem a data. Não consegui conversar com o Leonardo por causa dessas coisas que aconteceram com o Pedro, que está se recuperando. Também no fim do ano vou para Europa fazer uma turnê de quatro ou cinco shows para brasileiros.