Canções em quatro rodas

Cristiane Bomfim

03 de agosto de 2012 | 23h09

POR CRISTIANE BOMFIM
cristiane.bomfim@estadao.com

A matéria sai amanhã (sábado, dia 4) no Jornal do Carro, do Jornal da Tarde.

Foto Rosa Marcondes/Divulgação

Quando eram adolescentes, os cantores de música sertaneja Munhoz e Mariano iam para as baladas de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, de carroça. Não tinham carro nem dinheiro e precisavam de muita lábia para conquistar as mulheres. Tudo mudou em maio deste ano, quando eles gravaram Camaro Amarelo, canção que virou hit e já tem mais de 12 milhões de acessos no YouTube. Agora, adivinhe como eles vão para as baladas? De Camaro amarelo, claro, o esportivo mais caro da Chevrolet no Brasil, que parte de R$ 201 mil.

Sobre o sucesso, Mariano diz que é questão de momento. “A música fez esse sucesso todo porque o sertanejo está mais urbano e a letra juntou a gíria de ficar doce com o carro”, diz ele, que tem na garagem de casa uma picape Mitsubishi L200, já encomendou seu Camaro e sonha em comprar outra picapona, uma Ford F-250.

O parceiro Munhoz pulou de um Fiat Palio direto para um Audi A3. E já tem um Camaro. “Quero um Camaro ‘modelo americano’. É lindo”, conta.

Foto: Rosa Marcondes/Divulgação

Não é de hoje que músicas que têm veículos como tema viram sucesso, mas a nova onda ganhou força no fim do ano passado, quando o também sertanejo Israel Novaes compôs e gravou Vem ni mim Dodge Ram, mesmo sem nunca ter entrado na picape da marca norte-americana.

“Tive a ideia da letra no intervalo de uma aula da faculdade. Um cara veio dizer que era bonito e não pegava ninguém e que o amigo dele era feio e estava pegando todo mundo porque tinha carro”, conta Israel.

A escolha da Dodge foi por achar que é um modelo imponente. “Esse papo de maria-gasolina sempre vai ter. Todo mundo quer conforto, né?”. Ele diz que começou a dirigir aos 11 anos escondido do pai. O cantor prefere não revelar qual carro tem.

O sucesso da música não está diretamente ligado ao preço do veículo. Em 1964, Roberto Carlos incendiou as pistas de dança com O Calhambeque. Almir Rogério eternizou o besouro da Volkswagen com Fuscão Preto, que foi regravada por uma série de artistas.
A Brasília amarela dos Mamonas Assassinas, em Pelados em Santos, de 1995, virou ícone de irreverência. E a piauiense Stefhany Absoluta saiu do anonimato graças ao CrossFox que ela cita em Eu sou Stefhany, de 2009. “Me apaixonei pelo carro assim que foi lançado. Minha mãe escreveu a letra”, conta a cantora.

O clipe da música fez tanto sucesso na internet que a moça acabou ganhando um CrossFox de presente da Volkswagen durante o programa de televisão Caldeirão do Huck, da Rede Globo.

Seguindo essa moda, Gabriel Gava, que é do Espírito Santo, gravou no início deste ano Fiorino. “A história da música é muito boa. Foi baseada no que acontecia com um amigo meu. Ele tinha uma namorada que não queria entrar na (picape Fiat) Fiorino dele de jeito nenhum”, explica o cantor. Colaborou Thiago Lasco

Sem carta, mas de moto

O mineiro Juninho Bessa nunca pilotou uma moto. Nem tem habilitação para isso, mas a CBR 600, da Honda, é sua aposta para o sucesso: ela dá nome à nova música do cantor. O ritmo é o arrocha. “Quem escreveu foi Thales Lessa. Quando vi essa onda de músicas automotivas, percebi que ninguém tinha gravado uma sobre moto”, conta ele, que comprou seu primeiro carro, um Peugeot 206, no ano passado.

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