As Galvão: 66 anos de carreira, memorial e missa para o papa

Cristiane Bomfim

20 de julho de 2013 | 17h47

POR CRISTIANE BOMFIM
(cristiane@gmail.com)

Divulgação

O que ainda se pode querer depois de 66 anos de carreira, 80 álbuns lançados e 11 milhões de cópias vendidas? Essa é a pergunta que me fiz ao encontrar com as irmãs Meire (tem quem a chame de Mary) e Marilene Galvão em um dos vários camarins destinados ao Programa do Ratinho, no SBT, no dia 3 de julho. A resposta veio acompanhada de sorrisos nos rostos delicadamente maquiados: “Queremos continuar cantando”. Após serem presenteadas com um memorial inaugurado no dia 30 de junho na pequena Sapezal, distrito de Paraguaçu Paulista, no interior paulista, com um rico acervo sobre a dupla, as irmãs se preparam para participar da missa do Papa Francisco no próximo dia 24 no Santuário Nacional de Aparecida. Na lista de músicas que elas cantarão para o papa estão: “Eu e Minha Irmã”, “No Calor dos Teus Abraços”, “Cheiro de Relva” e “Pedacinhos”. Também estão confirmadas as presenças de Elba Ramalho e Sergio Reis na cerimônia.

Evitando polêmicas, as donas de sucessos como “Beijinho Doce”, “No Calor dos Teus Abraços” e “Coração Laçador” evitam polêmicas. Preferem dedicar suas falas aos agradecimentos e ao reconhecimento do sucesso e popularização da música sertaneja graças às novas safras de artistas. “Na nossa época era muito difícil porque as emissoras não tocavam o trabalho da gente. A não ser que fosse antes das 5 da manhã ou depois das 10 da noite. Agora não, as rádios tocam em qualquer horário. É uma mudança que começou devagar e agora está tudo maravilhoso”, disse Marilene. Fã de nomes mais clássicos do estilo musical como Chico Rey & Paraná e Pedro Bento & Zé da Estrada, a cantora concorda que “hoje tem muita dupla boa por aí” e, depois de certa insistência, revela sua favorita: Victor & Leo.

Apesar disso, as cantoras premiadas com dezenas de discos de ouro e platina, não acreditam que os artistas do dito “sertanejo universitário” não ajudam a divulgar a moda caipira e seus representantes. “Essa moçada de hoje veio com muita vontade de vencer e mesmo com todo o sucesso que eles alcançaram, nós nunca paramos”, explicou Marilene. “Eles não nos ajudam porque nós já temos um público certo. E se eles cantam nossas músicas em determinado momento do show é porque elas agradam”, completou.

Afinal, graças às vozes suaves e inconfundíveis e ao repertório escolhido na base da emoção, privilegiando o rasqueado e a toada, as irmãs (que começaram a carreira em 1947) acumulam uma longa lista de prêmios. Entre eles o Prêmio Sharp (atual Prêmio da Música Brasileira), Prêmio Caras e indicação para o Grammy Latino. Mas para elas – que também resistem em enumerar por conta própria os troféus mais importantes, as músicas favoritas e até os momentos mais difíceis – o dia 30 de junho de 2013 teve um gostinho especial. Depois de oito anos sem pisar na cidade em que começaram a carreira, foram homenageadas por uma pequena construção decorada com a história da dupla em formato de troféus, capas de discos, roupas usadas em shows, letras de músicas e jornais, entrevistas em rádio e televisão.

“Quando ligaram dizendo que estava tudo pronto, ficamos imaginando como seria. Mas eles guardaram segredo e quando chegamos lá e vimos aquele povo todo em nossa volta e o jardim que eles preparara, e a casa onde está o nosso acervo… Choramos de balde”, confessou Meire.

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