Arraiá de Milionário reúne medalhões da música sertaneja

Cristiane Bomfim

11 Julho 2012 | 16h55

Por Cristiane Bomfim

Vestido de caipira, Milionário (da dupla com José Rico) recebeu ontem a família e medalhões da música sertaneja em uma festa junina de aniversário. Por causa da agenda cheia de shows – cerca de 20 por mês – o cantor, que fez 72 anos em janeiro, só conseguiu fazer a festa ontem, 10, em um haras na cidade de Piracicaba, no interior de São Paulo.

“Eu acho que festa não tem dia. Todo dia é dia de festa. Ainda mais hoje, com tantos amigos”, contou Milionário. “Faço aniversário dia 9 de janeiro. Mas a gente não teve tempo de festejar porque a agenda tem muito shows. Aproveitando os meses de junho e julho, minha filha deu essa ideia de fazer essa homenagem para mim. Eu achei engraçado, enfrentei e estamos aqui nesta festa linda”, continuou.

Enquanto crianças usando vestidos coloridos e camisas xadrez corriam de um lado para o outro e os filhos batiam papo com amigos, Milionário ia recebendo um por um seus amigos da música sertaneja.

Chegaram Pedro Bento (da dupla com Zé da Estrada), as Galvão (“que beijinho doce”), Robertinho (da dupla Léo Canhoto e Robertinho), Cezar (da dupla com Paulinho), João Mulato e Douradinho, Marcos e Belutti, Geovany Reis e Fabrício, Fabiano (da dupla com Cesar Menotti), Jorge (da dupla Jorge e Mateus), Edson (da dupla com Hudson), Craveiro e Cravinho, a dupla de cantores e compositores Marco Aurélio e Paulo Sérgio, o comediante Carlinhos, o cantor Latino…

Faltou José Rico, parceiro do aniversariante. De acordo com a assessoria de imprensa da dupla, a ausência foi porque os filhos dele estavam doentes.

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Como toda festa junina que se preze, tinha fogueira, comidas e bebidas típicas. E como toda festa sertaneja modas boas. No palco pequeno montado no centro do salão os cantores se revezavam no microfone para cantar ao lado de Milionário: música, piadas e brincadeiras. Sem aquela preocupação com o que dizer, de como se portar. Todos à vontade. O Jornal da Tarde bateu um papo com o Milionário durante a festa:

Como é comemorar o aniversário seis meses depois?
Faço aniversário dia 9 de janeiro. Mas a gente não teve tempo de festejar porque a agenda tem muito shows. Aproveitando os meses de junho e julho, minha filha deu essa ideia de fazer essa homenagem para mim. Eu achei engraçado, enfrentei e estamos aqui nesta festa linda.

A dupla está com uma agenda cheia, por isso a festa de aniversário só aconteceu hoje?
Esse mês fizemos 16 shows. E tem meses que são 20, 23 shows. Depende. Nós estamos nesse pique.

Não cansa?
Não. Cansar, não cansa. Quanto mais nós cantamos, mais a garganta fica melhor. Se parar de cantar, a garganta enferruja. O José Rico está bem de saúde. Eu também, graças a Deus, estou com saúde. E nós vamos aguentar nesse pique até não sei quando. Vamos continuar carregando essa bandeira do sertanejo.

Como é quatro décadas depois do início continuar fazendo sucesso?
Nós gozamos um privilégio que em 42 anos de carreira conseguimos reunir nos nossos shows velhos, moços, garotos, crianças. Não sabemos o motivo disso. É uma dádiva de Deus.

A entrada do novo sertanejo mudou o quê na carreira de vocês?
Mudou para melhor. Essa garotada que vem aí soma na nossa carreira. Porque os compositores que faziam letras lindas estão sumindo. Uns morrem… Se pinta uma dupla sertaneja hoje, para nós é motivo de satisfação. Está aumentando o casting sertanejo.

E ser referência deles?
O sertanejo moderno de hoje está esquecendo um pouco as origens do sertanejo. Têm várias duplas e vários artistas que cantam o sertanejo, mas não sabem o que é o estilo. Para cantar a música sertaneja, tem que vir lá do sertão, do mato. De onde eu vim, de onde veio o José Rico, o Chitãozinho e Xororó, o Zezé di Camargo, Teodoro e Sampaio… Esses caras que vieram lá de longe entendem o que é a música sertaneja. Então, eu gosto das músicas que eles (essas duplas novas) cantam, mas eu acho que eles precisam buscar mais letras. Porque a música sertaneja é cultura.

Se você tivesse que apostar em alguns nomes novos, escolheria quem?
Eu ficaria com Michel Teló, que eu gosto do estilão dele. Fico com Victor e Léo. Eles formaram um estilo porque para fazer sucesso, o público tem que identificar, quando uma música toca na rádio, quem é que está cantando. Tem que ter um estilo. O Victor e Léo têm essa identidade.

O resto é tudo igual?
O resto é tudo meio misturado e você não identifica quem é quem.

Em todo esse tempo de carreira, qual a música que você mais gosta de cantar?
É Sonhei com você… Depois de muito tempo acordado. Já cansado de tanto sofrer. Essa noite eu dormi um pouquinho. Sonhei com você…