Ricardo Hantzschel e sua poética do SAL

Ricardo Hantzschel e sua poética do SAL

Mônica Zarattini

11 Março 2015 | 09h45

Caro internauta,

Você tem até dia 29 de março (domingo) para conhecer de perto o processo de extração manual de sal realizado na região dos lagos no Rio de Janeiro, mais especificamente nos municípios de Araruama e Arraial do Cabo. Sim, o fotógrafo Ricardo Hantzschel  através da documentação fotográfica nos mostra pura poesia no Instituto Tomie Ohtake. Iniciou seu trabalho em 2011 retratando a extração salineira e seus personagens ainda ativos. Através de suas pesquisas utilizou o produto bruto extraído das salinas e adaptou esses materiais  à técnica do papel salgado, suporte sensível precursor da fotografia criado pelo inglês William Henry Fox Talbot em 1834, no qual as cópias da exposição foram impressas.

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As imagens mostram esse modo de produção que se mantém inalterado desde o século XIX. Um ofício que, por questões econômicas, climáticas e sociais, tende a se extinguir silenciosamente na próxima década, com mudanças significativas na paisagem local.

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A exposição do Instituto Tomie Ohtake é composta por 33 fotografias impressas em papel salgado com viragem a ouro no tamanho 50×60 cm. As imagens foram captadas por câmeras artesanais (pinhole), analógicas e equipamentos digitais, entre janeiro de 2011 e janeiro de 2015.

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“Esta é uma obra de ficção. Uma representação de um real possível, mediado pelo aparato, pela edição, pela emoção e pela imaginação. O mote é o sal, substância que faz parte significativa da história do homem. De caráter simbólico, em diversas culturas aparece em rituais de proteção e purificação; em outras, representa a incorruptibilidade, ou mesmo a amargura. De grande valor, quando raro já foi moeda de troca e salário de soldados. Seu poder de conservar alimentos é o mesmo que corroi o ferro e resseca a pele do salineiro, marcada pelo sol, pelo vento, pelo tempo. Personagem de um ofício que se mantém inalterado desde o século dezenove e que tende a desaparecer lenta e silenciosamente, calando o arrastar metálico das pás, o gemer dos carrinhos de mão, o puxar dos rodos, o pavonear dos cataventos. Um lugar em que a paixão e o desencanto se misturam, originando cristais brilhantes na água salgada “, diz Ricardo Hantzschel.

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Exposição: Instituto Tomie Ohtake

Avenida Faria Lima, 201, (Entrada pela Rua dos Coropés, nº 88) , São Paulo, SP. De 05/02 à 29/03 de 2015, de terça a domingo, das 11 às 20 horas , entrada gratuita.

Ricardo também lançará seu  livro  SAL no  Festival de Fotografia de Tiradentes – Tiradentes, MG, dia 21/03 de 2015 e na DOC Galeria – São Paulo, SP ,  dia 28/04 de 2015

Com textos do artista e fotógrafo luso brasileiro Fernando Lemos, da curadora de fotografia Rosely Nakagawa e da curadora de arte contemporânea Paula Braga, o livro SAL apresenta as imagens do ensaio fotográfico e documenta o percurso criativo/empírico do autor. Na parte final, visando a propagação do conhecimento, a pesquisa de materiais com o papel salgado é descrita e ilustrada minuciosamente. A publicação medindo 23×28 cm, tem 144 páginas em couchê fosco 150g, capa dura com verniz de reserva e tiragem de 1.000 exemplares.

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