Coleção “Cangaceiros” : fotos históricas

Coleção “Cangaceiros” : fotos históricas

Mônica Zarattini

21 Janeiro 2015 | 08h29

A Mira Galeria de Arte abriu uma exposição com imagens históricas de Lampião e seu bando, de autoria de Benjamin Abrahão, Pedro Maia , Lauro Cabral de Oliveira e outros fotógrafos desconhecidos. A coleção “Cangaceiros”, organizada por Ricardo Albuquerque, reúne 100 fotografias 18cmX 25cm numa caixa forrada em tecido e um registro audiovisual de 14 minutos de duração do fotógrafo Benjamin Abrahão, que teve sua vida contada no filme  O Baile Perfumado, de Paulo Caldas e Lírio Ferreira.

 

Lampião em Juazeiro do Norte, foto de Lauro Cabral de Oliveira, 1926

Lampião em Juazeiro do Norte, foto de Lauro Cabral de Oliveira, 1926

 

Benjamin Abrahão,  um sírio-libanês que atuava como mascate no Recife, teve acesso liberado para filmar e fotografar Lampião e seu bando. Ele foi secretário particular do Padre Cícero,  que o apresentou a Lampião em 1926, em Juazeiro do Norte.  Outra pessoa fundamental para que fosse realizado esse trabalho iconográfico foi Ademar Bezerra de Albuquerque (avô do organizador desta coleção, Ricardo Albuquerque). Ele era dono da ABA FILMS  e emprestou  equipamentos de filmagem e fotos para Abrahão documentar as atividades do grupo em 1934. 

Mesmo com tantas perseguições da polícia e de inimigos pessoais, Lampião quis construir sua própria imagem pública e então consentiu que fotógrafo libanês registrasse os costumes e vida de seu bando. Sua vaidade e sua ambição por querer se tornar o “governador do Sertão” facilitaram a produção da documentação. Como disse o pesquisador Rubens Fernandes Junior no texto de apresentação que acompanha a caixa de fotos: “A produção de imagens nunca é gratuita. Quase sempre, fotografias são produzidas com a intenção de comunicar. Diante disso, a coleção assume um caráter inventário, típico de uma produção ensaísta seriada e previamente planejada. Porém, há de se entender que essas fotografias são recortes intencionais cujo objetivo inicial era dar visibilidade a um movimento que incomodava o sistema estabelecido.”

Entre as fotografias da coleção temos a famosa imagem das cabeças cortadas expostas na escadaria da Prefeitura de Piranhas, Alagoas, em 28 de julho de 1938, o dia da emboscada fatal na Fazenda de Angico, Sergipe,  quatro quilômetros distantes dali. “Cabeças em simetria, algumas apoiadas por calços de pedra, cabelos desgrenhados, feições rígidas, olhos fechados. A ordem de apresentação do escalão é inversa e quebra a hierarquia que tiveram em vida. No plano mais baixo, isolada, a cabeça de Lampião; acima a de Maria Bonita tendo à direita a de Luís Pedro e à esquerda Quinta-Feira; degrau acima, as cabeças dos cangaceiros Mergulhão (E), Elétrico e Caixa de Fósforo; no plano mais alto, as cabeças de Enedina (E), Cajarana, um cangaceiro não identificado, dito “desconhecido” e o cangaceiro Diferente.” (CLEMENTE, 2007,p.5)

 

 Fotógrafo desconhecido, Acervo Fraderico Pernambuco de Mello


Fotógrafo desconhecido, Acervo Fraderico Pernambuco de Mello

 

 

Aos colecionadores de fotografias e amantes da história do cangaço é uma ótima oportunidade de conhecer mais detalhes do vestuário, costumes, esconderijos e vida dos cangaceiros. Transcorridos 72 anos da morte de Lampião, novos debates acerca da história do cangaço procuram evitar a dicotomia de “herói x bandido” e propõem considerar como a experiência da vida de Lampião, Maria Bonita e os demais cangaceiros pode ajudar na compreensão dos problemas atuais do sertão nordestino.

Referências: 

CLEMENTE, M.E. de A. “Cangaço e cangaceiros: histórias e imagens fotográficas no tempo de Lampião”, in Revista Fênix, 2007 . Disponível em 20.jan.2015: http://migre.me/ocVEx

Filme O Baile Perfumado (de Paulo Caldas e Lírio Ferreira) . Disponível em 20.jan.2015: https://www.youtube.com/watch?v=SnfSvKoYpio

 

Lançamento da caixa:

Mira Galeria de Arte, 22 de janeiro, 19 horas.

Rua Joaquim Antunes, 187, Jardins, São Paulo (tel. 2528-0409) .

Exposição fotográfica e exibição do filme “Lampião”, que integra a coleção

Maria Bonita, fotografada por Benjamim Abrahão, 1936

Maria Bonita, fotografada por Benjamim Abrahão, 1936

 

Maria Bonita e Lampião entre outros cangaceiros, foto de Benjamim Abrahão, 1936

Maria Bonita e Lampião entre outros cangaceiros, foto de Benjamim Abrahão, 1936

 

Nenê acariciando o cão Ligeiro, seu companheiro Luís Pedro e Maria Bonita com o cão Guarani. Ao fundo o cangaceiro Juriti., 1936. Foto de Benjamim Abrahão

Nenê acariciando o cão Ligeiro, seu companheiro Luís Pedro e Maria Bonita com o cão Guarani. Ao fundo, o cangaceiro Juriti. Foto de Benjamim Abrahão, 1936.

 

A família de Lampião em foto de gala , reunidos em Juazeiro. Antônio sentado à esquerda e Lampião sentado à direita. Foto de Lauro Cabral de Oliveira, 1927

A família de Lampião em foto de gala , reunidos em Juazeiro. Antônio sentado à esquerda e Lampião sentado à direita. Foto de Lauro Cabral de Oliveira, 1927

 

Cristino Gomes da Silva Cleto , o Corisco. O segundo homem mais importante do Cangaço. Foto de  Benjamim Abrahão, 1936

Cristino Gomes da Silva Cleto , o Corisco. O segundo homem mais importante do Cangaço. Foto de Benjamim Abrahão, 1936

 

Maria Bonita, Lampião e seu bando, 1936. Foto de Benjamim Abrahão.

Maria Bonita, Lampião e seu bando, 1936. Foto de Benjamim Abrahão.

 

 

Maria Bonita e cangaceira não identificada. Foto de Benjamim Abrahão, 1936

Maria Bonita e cangaceira não identificada. Foto de Benjamim Abrahão, 1936

 

Cabeça do cangaceiro Zepelim, morto em Sergipe. Fotógrafo desconhecido, 1935

Cabeça do cangaceiro Zepelim, morto em Sergipe. Fotógrafo desconhecido, 1935

 

Grupo de volantes , ( eram grupos armados e móveis, formados por policiais militares e soldados contratados. Fotógrafo desconhecido, sem data

Grupo de volantes , ( eram grupos armados e móveis, formados por policiais militares e soldados contratados. Fotógrafo desconhecido, sem data

 

Foto de Benjamim Abrahão, 1936

Foto de Benjamim Abrahão, 1936

 

Cabeças cortadas, armas e objetos. Da esq. para a dir. cabeça do cangaceiro Serra Branca, sua companheira Eleonora e Ameaça, mortos pela volante de João Bezerra, a mesma que viria a matar Lampião. Fotógrafo desconhecido

Cabeças cortadas, armas e objetos. Da esq. para a dir. cabeça do cangaceiro Serra Branca, sua companheira Eleonora e Ameaça, mortos pela volante de João Bezerra, a mesma que viria a matar Lampião.
Fotógrafo desconhecido

 

 

 

Mais conteúdo sobre:

CangaceirosCangaçoLampião