Vereador sugeriu colocar gays numa ilha e perde ação

Marcelo Rubens Paiva

10 de junho de 2016 | 11h01

Por aí, o Brasil que manda no Brasil.

E que nos deixa incrédulos, pois foi eleito por nós, para nos representar.

Nossa voz insana.

Numa segunda-feira do começa da primavera de 2014, o vereador Sérgio Nogueira (PSB), pastor, subiu na tribuna da Câmara Municipal de Dourados, Mato Grosso do Sul, e fez um discurso inflamado, pegando todos de surpresa.

Propôs enviar homossexuais a uma ilha, onde ficariam presos por 50 anos.

Para ele, “família não é qualquer coisa”, e o governo federal a desconstruía em cartilhas. Lembrou que a “prática do homossexualismo é condenada nas escrituras sagradas”:

“Não podemos passar a ideia de que o anormal é normal. Bota as pessoas que pensam assim numa ilha por 50 anos. Coloca essas pessoas numa ilha e depois de 50 anos volta para ver. Não vai ter mais ninguém.”

Ouça seu discurso:

http://www.94fmdourados.com.br/noticias/dourados/vereador-de-dourados-sugere-colocar-homossexuais-numa-ilha-por-50-anos

Teve gente que ironizou:

Ana escreveu no site da rádio: “Adorooooo. Pra mim ia fazer um favor. Imagina uma ilha só com gay… Que magia. Me chama que eu vou. #heterofobica”

Mas a repercussão negativa foi maior.

Para dar um fim na polêmica, ele foi além.

Candidato à reeleição neste ano, entrou uma com ação na 4ª Vara Cível de Dourados, aos cuidados da juíza Daniela Vieira Tardin, pedindo que qualquer matéria já publicada sobre o caso fosse apagada.

E que o parlamentar não fosse criticado pela imprensa durante os próximos dez anos.

Os advogados do vereador também pediram à Justiça que a empresa proprietária do Portal da 94FM, primeiro a publicar matéria sobre o assunto, apague “de todos os sítios da internet, as publicações sobre o tema, que tenham sido replicadas ou inspiradas no seu título ou em seu texto ou na sua forma de redigir o evento em comento”, e “se abstenha de publicar matérias ofensivas contra” ele “durante os próximos dez anos, sob pena de aplicação de multa diária”.

O desembargador Divoncir Schreiner Maran considerou que a publicação “não implicou em ofensa à honra e à imagem do representante como candidato, pois o que foi divulgado referia-se apenas a discurso proferido pelo representante na Câmara Municipal no exercício da verança que ocupa, inclusive com a transcrição na íntegra do discurso, não contendo, pois nenhuma ofensa na seara eleitoral, tratando-se, pois de matéria de cunho meramente informativo, que sequer merece análise pela Justiça Eleitoral”.

Todas as informações em detalhes estão no portal da combativa 94FM de Dourados.

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