Vai ficar por isso mesmo?

Vai ficar por isso mesmo?

Marcelo Rubens Paiva

30 de abril de 2009 | 13h01

Vi a entrevista da grande-pequena diretora e iluminadora Cibele Forjaz no Jô. No final, ela comentou rapidamente que há 6 meses cancelou o Speedy, mas a Telefonica continua cobrando na sua fatura mensal, apesar de ligar diversas vezes.

Li no blog do grande e feliz torcedor do Sport Xico Sá que ele há dias tem problemas com o Speedy, pois mudou de casa, e não consegue postar.

Cancelei o Speedy em janeiro. Fui pro Virtua: mais barato [eu já tinha a NET digital] e mais rápido o upload. No mesmo dia, cancelei o Speedy. Me deram um número de protocolo, depois de tentarem me demover da ideia. Marcaram de pegar o modem, mas nada.

Em março, vi que continuavam me cobrando. Liguei. Me passaram para outro setor e me deram outro número de protocolo.

Em abril, continuaram me cobrando. Liguei. Me passaram para um terceiro setor, e ganhei mais um protocolo. É uma mensalidade de R$ 110,97. Cem paus por protocolo. Já me vejo sustentar essa empresa por muito tempo.

Comentei com uma amiga, que também teve problemas com a Telefonica. A resposta dela me surpreedeu: “Você tem um advogado?” Ela entrou com uma ação de pequena causa, e só assim recuperou o que não consumiu.


ARTE QUE VEM DA ESPANHA

A empresa é a campeã de queixas no PROCON. E aí? Vai ficar por isso mesmo?

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O comando antidivertimento da Capital, apoiado na lei do PSIU, fechou diversos bares e boates dos Jardins, bairro residencial e de muitos condomínios familiares. Até aí, nada demais. Já fui morador dos Jardins, e o bairro não combinava com aquela balbúrdia.

Descobriram o Baixo Augusta, que já tinha tradição de tolerância com os boêmios. O VEGAS foi o pioneiro. A circulação da rua mudou. É agitada. Colorida. Ligeiramente pacífica.

Nos últimos meses, fui à inauguração de muitos bares e um teatro: CARNICERIA (Rua Augusta), VOLT (Rua Haddock Lobo), MINITEATRO (Pça Roosevelt) e SONIQUE (Bela Cintra). De todos eles, apenas o SONIQUE tinha acesso para deficientes físicos, como exige uma lei de 1996.

O que acontece? Não culpo os donos dos locais, alguns amigos, empreendedores que lutam para trazer diversão à cidade, pagam caro, enfrentam a burocracia. Mas seus arquitetos e engenheiros precisam reciclar. E a prefeitura, orientar.

A lei do acesso universal é motivo de orgulho da cidade e de movimentos dos deficientes, que há décadas batalharam por ela. Foi rigorosamente cumprida na gestão MARTA, SERRA e até na do MALUF. Já na atual… Perdemos uma batalha.

O caso mais gritante é do ZAHI CLUB (Rua Ignacio Pereira da Rocha, 520). Por quê?

A casa é no antigo BLEN BLEN, espaço que marcou época e era dirigido pelo Alemão e Guga Stroiter. E que, antes mesmo da lei de 1996, por pura solidariedade, se adaptou todo. Até instalou um elevador improvisado para cadeira de rodas, desenhado por eles mesmos.

Era uma casa que usávamos como modelo, para convencermos outras casas de como deve ser o desenho universal, quando ainda não havia uma norma técnica.

Os atuais donos do ZAHI são do Paraná, gastaram uma boa grana na reforma, eliminaram o acesso e desmontaram o elevador. Fiquei chocado, quando tive que ser carregado para subir uma escada, para ver o show de Gero Camilo e Chá de Boldo [love, love, love…].

Os donos ficaram envergonhados e prometeram mudanças. Vou ficar de olho.

Militância é um movimento sem fim.
Se nasci um guerrilheiro, morrerei um.

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Dilma, a Ministra-Chefe da Casa Civil, NEGA a sua suposta participação no suposto plano de sequestro do Ministro Delfim Netto, nos anos de chumbo, boato que circulou pela internet, através de uma ficha do DOPS falsa.

Teve jornalista que caiu no conto e divulgou a notícia.

A tal ficha foi preenchida por uma máquina de escrever elétrica, que não existia na época. E, quem conhece a história, sabe que Dilma, a guerrilheira Wanda [ou Estela], foi presa antes.

Dilma era do Colina (Comando de Libertação Nacional). Em 1969, se uniu à VPR, de Carlos Lamarca, resultando daí o VAR-Palmares. Mas a nova organização durou 3 meses. O Colina defendia uma luta com a massa. A VPR, ações armadas. O resultado foi um racha num congresso tumultuado. Em meses, a repressão caiu em cima.

O próprio responsável pelos arquivos do DOPS, depois de ver a ficha original, afirmou que não tinha essa ficha por lá e desconfiava que era falsa.

Na nossa fantasia, vinham as imagens de uma guerrilheira jovem, estudante, sequestrando o todo-poderoso Ministro gordinho, braço civil da ditadura, empurrando-o para dentro de uma Kombi de placa fria, empunhando um 3-oitão enferrujado, imaginando lutar pelo socialismo, gritando “ousar lutar, ousar vencer! abaixo a ditadura!”, e que esse gesto seria aplaudido pela massa, que iniciaria uma revolução; o estopim de uma era que traria liberdade e justiça.

Puro fetiche…

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