Um babaca no museu

Um babaca no museu

Marcelo Rubens Paiva

09 de janeiro de 2010 | 22h33

Não sei o que acontece comigo.

No ano passado, fui rato de museu.

MUSEU PICASSO, DALI e FUNDAÇÃO MIRÓ [Barcelona]
SOFIA e PRADO [Madrid]
MOMA, DISCOVERY, HISTÓRIA NATURAL E METROPOLITAN [Nova York]
VERSAILLES, DE ORSEY, POMPIDOU e LOUVRE [Paris]

Além dos nossos MASP, MAM, MAC e Pinacoteca.

Coisa de babaca ficar listando os museus que frequentou.

Mas o que é estranho: nessas viagens, não fui a nenhuma BALADA. Idade? Que nada. Pagar caro pra ficar num ambiente escuro, apertado, esfumaçado, com músicas que escuto aqui, pessoas que dançam como as daqui e luzinhas piscando?

Aliás, sabe qual é a moda em Paris? Forro. Já são 3 casas com bandas ao vivo. E dançam como se fosse salsa.

Museu é como um clássico [parodiando Italo Calvino], deve ser visitado e revisitado durante toda a vida. A experiência adquirida nos faz reler obras que já conhecemos.

Cony ia a Pompéia todos os anos. Era um ritual. Vou ao de História Natural sempre que posso. Lembra J D Sallinger [O Apanhador no Campo de Centeio, outro clássico que sempre visito].

Mas me incomodou a recente visita ao LOUVRE. A quantidade de gente é insana. A ex-residência de LUIZ 13 é o museus mais famoso e mais visitado do mundo.

Sua estatura é simbólica. Um dos primeiros atos da Revolução Francesa foi transformar o palácio em museu e vender os móveis de Versailles, cuja construção trouxe a bancarrota do país e, ironicamente, colaborou com os princípios revolucionários- e o rei contruira para fugir do povo.

É o que um dia conseguiremos fazer com BRASÍLIA.

Então, de repente, uma tentação: fazer babaquices. E levar o cunhado e o sobrinho juntos.


PARIS, 2010

E de repente, olhando arquivos, descobri que esta cara de doidão do Van Gogh tento há tempos imitar. Sem resultado. Muito canastrão.


AMSTERDAM, 1989

Acho que sou um babaca na vida.

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Uma notícia que passou desapercebida.

Morreu jovem ainda a linda cantora e compositora Lhasa de Sela, americana que se criou no México.

Sua música, DE CARA A LA PARED, era a base da trilha e a alma da minha peça, A NOITE MAIS FRIA DO ANO.

Que triste…

Como Chico Science e Jeff Buckley, era daquelas musas que não deveriam morrer e nos deixar uma obra incompleta.

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