Uber liberado em Londres

Uber liberado em Londres

Marcelo Rubens Paiva

17 Outubro 2015 | 10h54

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Cada cidade procura um modo de controlar ou liberar o Uber.

Os táxis de Londres talvez sejam os melhores do mundo.

O serviço é um exemplo: não é caro, os motoristas passam dois anos estudando e treinando, numa seleção rigorosa, são carros padronizados, espaçosos e, detalhe, acessíveis a todos, especialmente a cadeiras de rodas [veja abaixo].

E, mesmo assim, a suprema corte britânica (Britain’s High Court) decidiu, depois de meses de protestos de taxistas, que o aplicativo não prejudica os negócios dos proprietários dos “black cabs”, ícone da cidade.

A Corte foi perguntada se a tecnologia do aplicativo quebra a lei que proíbe o uso de taxímetros em carros particulares.

O juiz Duncan Ouseley despachou hoje que o taxímetro “não é um aparelho que recebe sinal do GPS durante a corrida, mas serve apenas para mandar informações a uma central, que calcula a tarifas.”

Enquanto isso…

Está parado na gaveta do vereador Adilson Amadeu (PTB), da Comissão de Finanças e Orçamento, a aprovação de lei que garantiria um serviço eficaz de táxis com rampas para deficientes em São Paulo.

O táxi para cadeirantes é um serviço que se torna fato em todo mundo.

Cada cidade tem ama norma.

Em Londres, os famosos carros pretos têm rampas acopladas mas laterais. Qualquer cadeirante entra em qualquer carro com a ajuda do motorista. A tarifa é subsidiada para clientes deficientes.

Na Espanha, é preciso telefonar e agendar. São minivans com rampas traseiras. Fica-se num espaço acolchoado, em que a cadeira se encaixa. A tarifa é comum.

 

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Em Nova York como na Califórnia, são caros rebaixados, em que se entra pela lateral por uma rampa. Basta ligar 311 e agendar ou esperar na rua (um litígio judicial pede que 100% da frota seja adaptada). A tarifa é comum. Todos acima podem pegar passageiros não deficientes.

 

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No Brasil, o serviço, claro, tinha que ser mais complicado, burocrático e ineficiente.

Não dá lucro a taxistas.

No Rio era um modelo. Uma cooperativa serve apenas a deficientes. Um telefone atende toda demanda. O problema é que o tipo de carro que se exige (com elevadores plataforma e teto levantado) e sua manutenção são caros. E, surpresa, não têm isenção na compra do veículo e equipamento.

Às vésperas dos Jogos Olímpicos, o serviço pode fechar.

 

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Em São Paulo, a lei 14.401 de 2007 foi feita para agradar a todos de tal maneira que não agrada ninguém, nem passageiros, nem motoristas.

São 88 carros com plataforma difíceis de serem agendados. Kassab sabia que o negócio não funcionava. Prometeu dois alvarás de carros comuns e mais dois de carros híbridos a cada cooperativa (frota) que aceitasse um carro adaptado (acessível).

No fim do ano, uma bomba cai no colo das prefeituras.

A lei federal 13.146 de julho de 2015 exige que “as frotas de empresas de táxi devem reservar 10% de seus veículos acessíveis à pessoa com deficiência”.

Se seguirem as normas cujos veículos deverão ser adaptados com plataforma elevatória na extremidade traseira ou lateral, o serviço continuará deficitário.

Mas se seguirem o modelo de rampas do mundo todo, que também transporta passageiros não deficientes…

A Prefeitura de BH opera com táxis com rampas. A do Rio promete isenções.

A de São Paulo reconhece que precisa mudar. Luta para ampliar o conceito de acessibilidade através do Projeto de Lei 563/2014, que tramita a passos lentos.