Twitter or not?

Twitter or not?

Marcelo Rubens Paiva

03 de dezembro de 2009 | 15h55

“Posso tuitar isso?”

É a frase que agora escutamos, quando falamos algo interessante numa mesa de bar. Tem nego que está viciado e usa os celulares G3 para estar sempre conectado.

“me acho meio louca toda vez que converso com um famosão no tuíter. parece que tô falando com as paredes.”

Postou no Facebook a amiguinha Priscila Nicolielo. Na mosca! Foi a melhor justificativa para aqueles que não se empolgam pela novidade do ano.

Como eu, que não acha a menor graça no Twitter, e posto eventualmente, procurando ainda um sentido.

Tenho quase 3 mil seguidores, e não sei o que fazer com eles. Como se esperassem entediados o sermão de um profeta sem inspiração e FÉ, no alto da montanha, também entediado, sem assunto.

É preciso acreditar no veículo e no que se diz. Não é Goebbels falando isso. Vai ver é Platão. Se não for, fica sendo. Parece Platão.

Como não acredito, meus seguidores… Estão livres para seguir seu próprio caminho. Amém. Cometerei um twittercídio em breve. Como já cometi um orkuticídio há anos, temi pelas consequências e, surpresa, não mudou nada na minha vida.

Às vezes, é preciso ter coragem de negar os rumos da tecnologia da informação, selecionar o que realmente interessa e não entrar na histeria das novidades.

Como diz o ditado, a informática muitas vezes resolve problemas que antes não existiam.

Para alguns, o Twitter veio para ficar. Meu amigo Leo Jaime, que já foi o rei do Orkut, tem 40 mil seguidores, posta a cada duas horas, pincela cada frase, pensamento, para dividir com seus seguidores.

Sou um preguiçoso nato.

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Sábado tem manifestação dos DEFICIENTES.

Passeata SuperAção 2009 será no centro de São Paulo

O Movimento SuperAção e a ONG Mais Diferenças, com apoio da Associação
Nacional de Defesa de Famílias Carentes, fazem a 6ª edição da Passeata Superação São Paulo 2009 sábado, 5 de dezembro.

Neste ano, o evento não será na Avenida Paulista, onde foi realizado por cinco anos, para chamar a atenção para a falta de acessibilidade em bairros do centro da capital.

A passeata começa às 10h, com concentração na Praça Dom José Gaspar, no Centro de São Paulo. Vamos até a Praça do Patriarca, também no Centro, onde terão intervenções artísticas, debates e shows. O Dia Internacional da Pessoa com Deficiência é hoje, 3 de dezembro.

Na do ano passado, eu fui. Adorei o trio elétrico acessível, com elevador para cadeiras de rodas e o escambau. Me senti uma… Ivete?! “Sai do chão, vamos pular!!!” Ops. Melhor não. Melhor gritar: “Vamos girar!!!”

Informações:

http://movimentosuperacao.ning.com/

www.md.org.br

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E comemoram-se os 30 anos do Lira Paulistana.

A Funarte e a Atração Fonográfica produzem uma sequência de shows que reviverá a Vanguarda Paulista, um marco da cultura alternativa do final da década de 70 e começo da 80, que deu no rock brasileiro, movimento punk e tudo o que veio depois.

Sou lembrado como parte desse movimento, porque toquei com eles no FESTIVAL DA TV CULTURA, o primeiro depois da ditadura, e em shows universitários. Mas eu era mais jovem, não tocava tão bem, cantava pior ainda e morava longe “pacas”. Virei um mascote dessa turma. E era um duro.

O baixo eu pegava emprestado do namorado de uma irmã. A guitarra, do fã de outra. Nessas horas, é bom ter muitas irmãs. Os caras tentavam me agradar…

Troquei a música pela literatura. Já contei essa história por aí…

E viva ARRIGO BARNABÉ!

Aliás, NESSE DOMINGO NA PRAÇA BEDEDITO CALIXTO, às 13 horas, estarão juntos:

Arrigo Barnabé
Língua de Trapo
Premê
Passoca
Isca de Polícia

Imperdível.

Aqui vão o release e a programação que começa hoje e segue por todo mês de dezembro na Funarte, Sala Guiomar Novaes – Alameda Nothmann 1058 – Campos Elíseos (11/3662-5177).

Detalhe: entrada grátis

Fundado em 1979, na rua Teodoro Sampaio, próximo à praça Benedito Calixto, nasceu o Lira Paulistana, um teatro que se tornou o celeiro cultural e impactou definitivamente na história de São Paulo – e certamente uma geração ávida por uma nova forma de mostrar música, cultura e arte. O Teatro era o espaço que faltava para músicos independentes que estavam em início de carreira mostrarem seus trabalhos.

Wilson Souto Junior, o Gordo, foi o mentor e um dos responsáveis pela história do teatro. O cenário era o final da década de 70. O país estava saindo da ditadura militar e a região de Pinheiros e Vila Madalena era ponto de encontro dos estudantes da USP e PUC. O Lira acabou atraindo esse tipo de público assim como os artistas que buscavam um lugar para mostrar seus trabalhos. Havia muitos músicos, o que trouxe fama ao Teatro, mas seu palco também recebia peças teatrais, filmes e debates.

Essa efervescência acabou por ser rotulada de Vanguarda Paulista, definição que os próprios músicos recusavam. O fato é que esse ‘movimento’ decolou e o que antes era apenas um teatro, expandiu para um jornal e também para a gravadora Lira Paulistana, que depois se tornaria um selo independente.

Itamar Assumpção e a banda Isca de Policia inauguraram o selo Lira Paulistana com o disco Beleléu, Leléu, Eu, em 1980. Dois anos depois, a Gravadora Continental firmou parceria com o selo para revelar novos talentos da música. Wilson Souto Junior, atualmente sócio da gravadora Atração Fonográfica, uma das poucas ainda a distribuir CDs, percebeu esta mudança no mercado fonográfico nesses 30 anos e acredita que uma discussão permanente pode trazer novos rumos à industria da música.

Em 1986 o Lira Paulistana fechou as portas, mas deixou um legado com mais de 17 discos e uma riquíssima história cultural como peças, exposições, e é claro shows.

Para relembrar o concurso Boca no Trambone em que o objetivo era dar espaço para o surgimento de novos músicos, Arrigo Barnabé, Premeditando o Breque, Isca de Polícia – a banda de Itamar Assumpção, Língua de Trapo, Passoca, Paranga entre outros, convidam novas bandas para mostrarem seus trabalhos na sala Guiomar Novaes.

Já na Benedito Calixto, Premeditando o Breque, Arrigo Barnabé, Língua de Trapo, Passoca e Isca de Polícia realizam show aberto em plena praça. Além do tributo ao Lira Paulistana, eles mostram o porquê da fama deste multiteatro, templo da vanguarda musical paulistana, responsável por lançar estes e outros nomes consagrados como Tetê Espíndola, Grupo Rumo, Ultraje à Rigor, Ira!, Titãs, Eliete Negreiros, Ná Ozeth entre outros tantos artistas que não tocavam músicas comerciais e sim optavam por um estilo mais alternativo.

Programação:

Dia 03 -12 – Quinta-feira – 19 horas
Futuro Antigo e Smack convida O SURTO

Dia 04-12 – Sexta-feira – 19 horas
Deo Lopes e Paranga convidam o Cataia

Dia 05-12 – Sábado – 19 horas
Arrigo Barnabé convida Cumieira

Dia 06 -12- Domingo – 20 horas
Isca de Polícia convida Anelis Assumpção

Dia 10- 12- Quinta-feira – 19 horas
Instrumental Faria & Banda convida Percutindo Mundos

Dia 11-12 – sexta-feira – 19 horas
Lucina e Suzana Sales convidam Estrambelhados

Dia 12-12 – sábado – 19 horas
Mercenárias convidam Seychelles

Dia 13-12 – domingo – 20 horas
Língua de Trapo convida Zabomba

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