TV Cultura faz ‘Olhos que Condenam no Brasil’

TV Cultura faz ‘Olhos que Condenam no Brasil’

Marcelo Rubens Paiva

26 de novembro de 2019 | 10h35

A série When They See Us (no Brasil, Olhos que Condenam) da Netflix foi um fenômeno.

Trouxe de volta a história real de um revoltante erro jurídico americano, o caso dos Cinco do Central Park, em que cinco adolescentes negros do Harlem foram condenados por um estupro que não cometeram: Antron McCray, Kevin Richardson, Yusef Salaam, Raymond Santana e Korey Wise.

Da prisão 1989 à absolvição em 2002, revela-se um flagrante racista alimentado inclusive pelo atual presidente americano, Donald Trump.

Foi inspirado na série que o jornalismo da TV Cultura, sob novo comando desde começo de agosto, jornalista Leão Serva, lança na TV aberta e YouTube Olhos que Condenam no Brasil.

Uma reportagem em seis episódios sobre histórias de vítimas do sistema penal brasileiro.

“Logo que assumi, pedi à equipe para prepararmos regularmente séries de reportagens especiais sobre temas importantes que não necessariamente estejam no dia a dia. Que possam ter calor jornalístico, mas que sejam preparadas ao longo de vários dias ou semanas”, disse Serva ao blog.

“A ideia é que um conjunto importante de reportagens possa ser editado como documentário para veiculação posterior, on demand. Quando vi a série norte-americana, logo me lembrei do Caso do Bar Bodega, que noticiamos quando eu era diretor do Jornal da Tarde. Na época pedimos que o jornalista e escritor Fernando Moraes cobrisse o crime e depois acompanhamos a prisão dos acusados e a revelação de que eles eram inocentes, presos e torturados, forçados a confessar. Todos negros e crianças, como no caso dos Cinco do Central Park.”

O jornalismo da TV Cultura viu-se então diante de diversos outros casos de injustiça e arbitrariedade do sistema penal brasileiro, que prende inocentes e dificulta até mesmo a soltura daqueles em que a vítima afirma que o acusado é inocente.

“Considero o sistema prisional brasileiro a maior tragédia de nosso presente. Entendo que ele é a representação atualizada da escravidão: a maior parte dos presos são pretos, a maior parte dos mortos em crimes são pretos e a maior parte das vítimas de injustiças do sistema são pretos. Há uma evidente coincidência que vai envergonhar nossos netos, o Brasil daqui a cem anos, como a escravidão nos envergonha. Hoje muitos julgam o sistema prisional justo, como tantos outros há 200 anos julgavam a escravidão justa”, conclui Serva.

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