toda mulher que se preze

toda mulher que se preze

Marcelo Rubens Paiva

02 de agosto de 2012 | 13h13

 

 

O repórter Chico Siqueira da Agência Estado nos trouxe hoje um exemplo de como a realidade por vezes é mais criativa, cativante e surpreendente do que procura o mais original dos escritores.

Aconteceu em São José do Rio Preto, interior de SP.

A cada parágrafo de sua reportagem, mais inacreditável e patética parece a história da professora de Letras e Filosofia aposentada, Janet Benfatti, de 73 anos, que entrou armada em banco para receber 50 reais que, segundo ela, um caixa eletrônico não lhe entregara.

Ela foi presa nesta quarta-feira, 1º, depois de entrar armada com um revólver carregado, na agência do Itaú, do bairro Boa Vista, em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo.

É melhor ler do que contar:

Janet pretendia usar a arma para intimidar a caixa e receber os R$ 50,00. Sem encontrar dificuldade, ela entrou na agência e como não encontrou a caixa, que não tinha ido trabalhar, ameaçou o gerente. “Passei pela porta giratória, que nem tocou o alarme”, contou ela. Ao entrar na agência, Janet recebeu a informação de que a caixa não tinha ido ao trabalho. “Como me falaram que a caixa não estava, mostrei a arma para o gerente e falei que queria receber o que era meu”, disse ela. “Mas o gerente nem tremeu e disse que não poderia me dar o dinheiro que faltava”, completou.

Sem receber seus R$ 50,00, Janet disse que teve de ir embora, pois percebeu que os seguranças do banco tinham anotado a placa do seu carro, estacionado na frente da agência. Para localizar Janet, a Polícia Militar mobilizou diversas viaturas e usou até o helicóptero Águia. Janet foi presa quando se preparava para entrar no elevador no prédio onde mora, na avenida Alberto Andaló, na região central de Rio Preto. No bolso da calça dela, os policiais encontraram a arma, calibre 32, com seis cartuchos intactos.

À polícia, a professora admitiu que ameaçou o gerente, mas disse que não pretendia fazer disparo. “Eu queria apenas receber o resto do dinheiro que faltava. Eu fiquei muito, mas muito revoltada porque um banco, de cinco estrelas não pode fazer isso com ninguém”, disse.

Formada em letras e filosofia, com especialização em literatura portuguesa, Janet disse que os R$ 500,00 eram do aluguel de um pequeno apartamento, cuja renda ela usa para pagar médico e o condomínio do prédio onde mora. “Eu não tenho plano de saúde e uso parte do dinheiro para despesas médicas e para pagar condomínio. Para o banco pode não fazer falta, mas para mim os R$ 50,00 fazem falta “, disse.

Janet disse defender o porte de arma para a população. “Toda mulher que se preze tem de usar uma arma para a segurança dela. Passei a ser a favor depois que, numa batida de carro, um motorista me pegou pela garganta”, contou. “A mulher é desprotegida e a polícia tem de tirar a arma dos bandidos e não das pessoas de bem. Se os bandidos podem suar arma, por que não podemos?”, comentou a professora, que disse ter se arrependido de ter entrado armada no banco.

 

O banco Itaú não explicou como a professora conseguiu entrar armada na agência e se realmente faltou os R$ 50,00 no saque dela.

Numa nota curta, a assessoria do banco disse apenas que o banco lamenta o episódio e está apurando os fatos.

“O Itaú Unibanco lamenta o ocorrido. Estamos apurando rigorosamente este fato e tomaremos as providências necessárias.”

A professora foi presa em flagrante, mas no final da tarde conseguiu ser liberada após pagamento de fiança de R$ 415,00.

Segundo ela, foi a primeira vez que entrou armada no banco, arma doada pelo pai já falecido há 30 anos.

O mundo deu uma bela enlouquecida.

Será que tem volta?

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