Dicas

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Marcelo Rubens Paiva

07 de junho de 2009 | 21h58

Nessa semana reestreia a minha peça A NOITE MAIS FRIA DO ANO no ESPAÇO PARLAPATÕES. A primeira sessão, nessa terça dia 9, é “para classe”. A peça ficará até julho, às terças e quartas, 21h. O elenco é mega ocupado, já tinha agendado outros compromissos, por isso ficaremos no chamado horáro alternativo.

O termo “para classe” está entre áspas, pois era algo comum no teatro antigamente e quase não rola mais: até os anos 80, as produções faziam um espetáculo gratuito para a classe teatral, geralmente à meia-noite ou num dia alternativo, pois nossos colegas não conseguiam ver nossas peças, já que estavam em cartaz com as suas.

Esses espetáculos para classe são festivos, todos se reencontram. Costumamos caprichar, já que só tem amigo na platéia, ex-colegas, batalhadores que mantêm viva a chama teatral. Não sei por que raramente se fazem tais sessões, em consideração com a maioria dos profissionais da área, que é dura e rala demais. Esperamos inspirar a retomada da prática.

O ESPAÇO PARLAPATÕES é maior [100 lugares] do que o SESC PAULISTA [68]. Não sei se acontecerá o mesmo fenômeno que o que ocorreu no SESC; na segunda semana, os ingressos de toda a temporada se esgotaram, o que nos pegou de surpresa, pois tínhamos pouquíssimos convites para dar para familiares e amigos, o que gerou alguns constrangimentos. Esperamos dessa vez que caibam todos.

Mas caso você não consiga, vá ver CURTA PASSAGEM, também às terças, 21h, no SATYROS 1, ao lado, peça de 3 cenas hilárias do MARIO BORTOLOTTO, autor e diretor.

Cena 1. Uma garota muito sexy (Carla Trombini) arrasta numa noitada pra o seu apezinho modesto um cara (Eldo Mendes), que acabou de conhecer. Ela descobre ser ele um tremendo chato, implicante. Porém, como é “o que restou para aquela noite”, ela o seduz mesmo assim. De morrer de rir.

Cena 2. O grande desenhista CARCARAH estreia como ator. Faz um bêbado hilário, que vê a mulher (Dani Dezan) partir e ainda tem que aguentar o novo caso, GUTA RUIZ, uma doida de pedra.

Cena 3. A do reencontro. A mulher (Dani) que larga o cara da cena anterior volta para a casa do ex (Eldo, dobrando o papel). É uma linda cena de reconquista e amor.

MARIÃO consegue em uma hora de espetáculo nos fazer rir e emocionar com personagens patéticos, apaixonados, com seus diálogos tão provocadores e verdadeiros, com o que identificamos nossas maiores fraquezas. Quem já não se viu naquela situação? Não é porque o cara é meu amigo e parceiro que a indico aqui. É demais…

E estreia finalmente nos cinemas nessa semana o documentário LOKI, sobre ARNALDO BATISTA, o “mutante” mais inspirado, da banda que mudou o rumo do rock brasileiro, ou melhor, da música brasileira, e entrou numa onda pesada com LSD, tentou o suicídio, teve sequelas e foi considerado por muitos um caso perdido.

O filme é muito delicado, recupera imagens históricas dos MUTANTES, tem depoimentos até de Sean Lennon, fã declarado da banda.

Só nesse ano vi 3 documentáros sobre músicos marcantes, TITÃS, SIMONAL e ARNALDO BATISTA. Sei que estão rodando um sobre o CAETANO VELOSO e RATOS DO PORÃO. Já fizeram BOTINADAS, sobre a cena punk paulistana do começo dos anos 80. Também vi numa mostra um filme sobre os PARALAMAS, que ainda não entrou em cartaz e que também aborda a recuperação do HEBERT.

Bacana que com o barateamento da tecnologia do cinema, e a melhora da qualidade de som das salas, conseguimos recontar a história da música brasileira.

Há muito a ser feito ainda: documentário sobre JULIO BARROSO [GANG 90], o furacão RPM, IRA!, BLITZ e tantas outras histórias dramáticas de sucesso juvenil que terminam em tragédia [ou não].

Uma pena que sobre a LEGIÃO URBANA tão cedo não veremos um doc. O litígio entre a família de RENATO RUSSO e os componentes da banda parece não ter fim.

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