+ 1

+ 1

Marcelo Rubens Paiva

13 de abril de 2009 | 21h47

Me vejo obrigado a postar aqui o texto que o grande Xico Sá publicou no seu blog: http://carapuceiro.zip.net/

“Se beber não passe email. As chances de dar merda, ora, são enormes. Pedir alguém que você mal viu em casamento, desmanchar o namoro dos sonhos, sabotar os projetos em andamento, escrever pornografia para a madre superiora do Colégio das Damas, xingar o amigo, zoar o freguês, desonrar o(a) parceiro (a), desmerecer os carinhos, atordoar os sentidos, desmascarar os ímpios, passar óleo de peroba na cara dos eventuais incorruptíveis, desmoralizar o ombudsman, entregar as Bovarys e os dons Juans com farta distribuição na rede de fotinhas digitais…
Ao sair para beber, deixe o computador desligado, travado, imploda as tomadas, faça uma barreira na porta do escritório, ponha um rastro de cascas de bananas para que você desabe no chão antes de alcançar a máquina de alta periculosidade. Faça tudo, amigo(a), que dificulte a volta [do boteco] direito para o outlook da insensatez, o gmail das perdições, a pororoca de um spam cardíaco, a irrecuperável ressaca moral dos itens enviados.”

Ultimamente, tenho cometido esta gafe. Fiz concessões, dei conselhos tortuosos, sugeri separações que não se concretizaram, propus o inatingível. Desabafei, me abri, me declarei por e-mail. Sob o comando de algumas doses de uísque. Às vezes, assistindo ao nascer do sol.

Xico tem razão. Todos sabem muito bem. Eu sei. Mas como se controlar? É irresistível. Bebida abre o coração reprimido. Muitos escritores são alcoólatras. Pois desarma, abaixa a guarda- tudo o que é preciso para se escrever com verdade e precisão. Sensatez serve aos cientistas, não aos artistas. Ao menos, eu aviso nas últimas linhas que estou bêbado. Adianta?

Agora, junte tudo isso a uma falta de reflexos na hora de clicar “enviar para”. Então, comete-se a gafe maior de todas: enviar de porre um e-mail para a pessoa errada. Dá uma merda…

Tendências: