Titãs não aceitam coro Fora Dilma

Titãs não aceitam coro Fora Dilma

Marcelo Rubens Paiva

12 de agosto de 2015 | 17h14

 

Foi agora, sábado.

A banda de rock mais importante e influente de São Paulo tocava na casa de shows Musiva, em Cuiabá.

De casting bastante eclético [de MC GUI, Sharam Jey a Zezé di Camargo e Luciano], a casa na Avenida Beira Rio recebe um público que consegue pagar ingressos que variam de R$ 100 a R$ 1.000 por cabeça.

No caso dos Titãs, a casa cobrava:

#LOTE PROMOCIONAL# :  Meia R$60,00 e Inteira R$120,00

Camarotes: R$2.000,00 para 10 pessoas.

“Eletrônico, country, pop, dance, comédia, festas, esportes, casamentos, aniversários, convenções, encontros, shows e muito mais podem ser realizados na nova casa”, um “mix de opções de lazer e cultura”.

Um coro de um camarote começou o refrão que se populariza em shows de outros roqueiros da mesma geração, e defendido por eles: “Fora Dilma!”

O compositor, vocalista e ator Paulo Miklos logo os interrompeu: “Vamos manter a ordem democrática! Lutamos por isso, democracia acima de tudo!”

“Fora Dilma!” não teve adesão da banda nem do público.

Segundo o blogueiro Fábio Ramirez, presente no show, a banda tinha acabado de tocar a música nova Fardado (de 2014), inspirada na violência policial contra manifestantes:

Você também é explorado

Fardado

Você também é explorado

Aqui!

Por que você não abaixa essa arma

O meu direito é seu dever

Por que você não usa essa farda

Pra servir e pra proteger…

Os gritos contra a presidente veio de um grupo de seis pessoas.

A banda fez uma pausa e anunciou a próxima música.

“Decidimos tocar essa música de 1987, porque ela está muito atual”, disse Miklos antes de começarem: “Quem quer manter a ordem? Quem quer criar desordem?”

E em seguida tocou Desordem

A música está num dos primeiros álbuns da banda, Jesus Não Tem Dentes No País dos Banguelas

Não sei se existe mais justiça,

Nem quando é pelas próprias mãos

População enlouquecida, começa então o linchamento

Não sei se tudo vai arder

Como algum líquido inflamável,

O que mais pode acontecer

Num país pobre e miserável

E ainda pode se encontrar

Quem acredite no futuro

Quem quer manter a ordem?

Quem quer criar desordem?

 

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