Temer retira um dos pilares da democracia

Temer retira um dos pilares da democracia

Marcelo Rubens Paiva

27 de fevereiro de 2018 | 10h03

 

Os americanos se consideram pais e mentores da democracia moderna.

Passaram o século 20 intervindo com ela no estandarte de grandes guerras, a Segunda Guerra Mundial e a Guerra Fria.

Feriu seus próprios princípios apoiando golpes de Estado.

Pediu, enfim, para cientistas políticos listarem como diferenciar um regime democrático de um autoritário.

O casal Philippe Schmitter e Terry Karl, professores de Stanford, foi convocado pela Casa Branca, que detectou um movimento pró-democracia na Europa a partir da Revolução dos Cravos em 1974 em Portuga.

Seguindo pela Espanha, antigas colônias africanas, ditaduras da América Latina, países do Oriente Médio, Ásia e países da antiga Cortina de Ferro, inclusive da própria Rússia, nas décadas de 1970, 80 e 90.

OEA, ONU, EUA, sob o democrata Clinton, movimentavam tropas e rediscutiam uma nova ordem mundial com o colapso da União Soviética.

No verão de 1991, o casal lançou o artigo definitivo: What Democracy Is…And is Not (O que é e o que não é democracia).

E listou.

Só é democracia se tiver:

  1. Renovação no Poder
  2. Eleições livres e liberdade partidária
  3. Liberdade de expressão
  4. Punição, recompensa e reconhecimento a crimes cometidos no período autoritário.
  5. Controle civil nas Forças Armadas.

FHC, um dos mentores dos professores de Stanford, reconheceu e recompensou crimes, colocou um civil na Defesa (promessa de campanha), seguiu à risca a tabela e cumpriu 90% dela, deixando de fora apenas “punição” a crimes cometidos na ditadura.

Temer acaba de tirar um dos pilares: nomeou um militar, o general Joaquim Luna, para o Ministério da Defesa.

É o primeiro militar no comando do estratégico ministério desde a sua fundação.

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